Funeral de Chávez é uma tentativa de manter seu legado

A cerimônia marca a saída de cena do presidente que brigou com presidentes e reis e ordenou que suas tropas defendessem as fronteiras do país

Comentar
Compartilhar
08 MAR 201312h05

O palco está armado para a última aparição do presidente Hugo Chávez, com líderes dos cinco continentes presentes na capital venezuelana para o funeral que acontece nesta sexta-feira (8). Durante seus 14 anos no poder, Chávez dividiu opiniões em seu país e no exterior.

A cerimônia vai marcar a dramática saída de cena do presidente que brigou publicamente com presidentes e reis e ordenou, por meio da televisão, que suas tropas defendessem as fronteiras do país. O funeral de Chávez deve também dar a seu sucessor a grande oportunidade de conquistar o apoio público para manter seu legado político.

Ainda assim, detalhes básicos sobre o evento ainda eram desconhecidos horas antes de seu início. Autoridades do governo disseram que o funeral terá início às 10 (horário local, 11h em Brasília), mas não especificaram onde vai ocorrer ou o que exatamente vai acontecer.

Por quase dois anos, e mesmo após sua morte na terça-feira, o governo tem mantido segredo a respeito do câncer do presidente, sem esclarecer o tipo da doença que acometeu Chávez nem onde estava localizada.

Mais de 30 chefe de governo, dentre eles o presidente cubano Raúl Castro e o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad, devem participar da cerimônia. O deputado republicano por Nova York Gregory Meeks e o ex-deputado William Delahunt, também democrata, representam os Estados Unidos, país que Chávez costumava retratar como o grande satã mundial, sem contudo deixar de vender petróleo no valor de bilhões de dólares a cada ano.

O corpo de Chávez percorreu as ruas de Caracas, na Venezuela (Foto: Agência Brasil)

Às 22h de quinta-feira, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello anunciou, em cadeia nacional de televisão, que o vice-presidente Nicolás Maduro será empossado presidente nesta sexta-feira.

A medida atraiu críticas de ex-juíza da Suprema Corte Blanca Rosa Marmo, que afirmou que o governo estava violando a Constituição venezuelana, que diz que o presidente da Assembleia Nacional, atualmente Cabello, deve assumir a presidência interinamente quando um presidente não pode ser empossado.

O governo designou Maduro, sucessor escolhido por Chávez, como o candidato oficial do partido socialista para a eleição presidencial especial que, segundo a Constituição, deve ser realizada em 30 dias. Para os partidários de Chávez, a tarefa adiante será continuar o movimento político de Chávez após sua morte.

Maduro também anunciou na quinta-feira que o corpo de Chávez será embalsamado e colocado em exposição num museu militar, não muito distante do palácio presidencial. Isso coloca Chávez ao lado de líderes revolucionários como Lenin, Mao Tsé-tung e Ho Chi Minh, assim como os ditadores da Coreia do Norte, Kim Il Sung and Kim Jong Il, cujos corpos embalsamados estão em exposição permanente.

Maduro disse que o corpo de Chávez ficará em exposição por "pelo menos" mais sete dias no museu. Não está claro quando exatamente o corpo será retirado da academia militar, onde ocorre o velório desde quarta-feira.

Oscar Valles, analista político da Universidade Metropolitana de Caracas, disse que a exibição permanente de Chávez tem como intenção manter viva sua estrutura de poder, muito depois de sua morte, aos 58 anos. "Nicolás Maduro e seu governo estão construindo uma aura que torna muito difícil, eu diria, que no futuro a oposição tente promoter uma alternativa ao governo", disse ele.

O anúncio do embalsamamento foi feito após dois dias de muita movimentação dos admiradores do presidente. Milhares de pessoas permaneceram durante horas na fila para ver o corpo de Chávez. As informações são da Associated Press.