‘Fui eleito prefeito, não rei’

Prefeito falou das dificuldades enfrentadas, de rotulá-lo como homofóbico e propostas de Governo

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18 JAN 201311h15

Diário do Litoral – Primeiro greve do funcionalismo e depois dos coletores de lixo, quantas armadilhas ainda o senhor tem pelo caminho?
Luis Cláudio Bili – Acreditamos que nesses próximos 90 dias ainda teremos novidades negativas, com este verdadeiro flagelo administrativo que herdamos. Mas não adianta lamentar, pois a sociedade clama por providências e estamos minuto a minuto lutando para equacionar os problemas.

DL – Você acredita que essas armadilhas foram propositais?
Bili – Não. Foi pura má gestão e irresponsabilidade. Até falta de vergonha na cara. Eu já havia alertado a situação antes de vencer as eleições, mas não imaginava a gravidade. Eles (Governo Tércio Garcia) não contavam com a derrota e iriam continuar empurrando os problemas.

DL – Mas não seria um tiro no pé?
Bili – Não. Contavam com a arrecadação de outubro, novembro e dezembro para acertar o que estava destruído. Mas Limeira é muito perto e o povo reagiu.

DL – Dá para ajeitar a casa em seis meses?
Bili – Mantenho o prazo. Só faço uma ressalva: no segundo semestre, costuma haver uma queda de arrecadação. Quando isso ocorrer, a máquina estará nos trilhos, mas não aparentará melhora em função da queda de recursos.

DL – Mas há alguma previsão otimista?
Bili – Em 2014, teremos o que comemorar. A Cidade começará a dar sinais de desenvolvimento, de atendimento digno ao cidadão na saúde, assistência social e educação.

DL – Saúde e Educação são problemas conhecidos. Há outra área sensível?
Bili – A manutenção viária, que envolve não só a limpeza urbana, mas o recapeamento das ruas. Foram feitos alguns absurdos.

DL – Quais?
Bili – No ano de eleição na Área Continental, por exemplo, foram feitas guias e sarjetas sem planejar a drenagem. Na maioria dos casos, teremos que quebrar tudo e refazer, porque as águas das chuvas não escoam. Tentaram maquiar, mas a população estava de olhos abertos.

DL – Aproveitando, quais seus planos para a Área Continental?
Bili – Com quase 120 mil habitantes, a Área Continental precisa de um hospital. Não temos orçamento para isso, mas vou lutar para construir um na Área Continental. Estou em tratativas com o Governo Estadual visando esse sonho. O filho que mais chora precisa de atenção e a Área Continental é esse filho. 

DL – Informações dão conta do lançamento de um jornal político para servir de ferramenta de oposição? Como o senhor recebe essa informação?
Bili – Fico feliz, porque oposição ajuda a vigiar as ações do governo. Aliás, eles (Governo anterior) têm muita moral para fazer oposição. Destruíram a cidade em 16 anos e quando falarem de um cisco no meu olho eu falarei da trave na testa deles. Fiz parte dos governos passados, mas já alertava sobre os problemas, principalmente sobre inchaço da máquina. Então, estou tranquilo.

DL – Esse inchaço (distribuição de cargos) não serve para dar a conhecida “governabilidade”?
Bili – Nós não iremos fazer isso. Não cooptaremos líderes ou pseudo-líderes. Nosso modelo de gestão é outro. Outro dia, tentaram espalhar que todos os meus secretários são evangélicos. Eu reduzi para 17 secretários e só um é evangélico.

DL – Já houve mensagens na internet que o senhor seria homofóbico. O que o senhor diz sobre isso?
Bili – Essa pergunta é muito boa, porque ajuda a esclarecer minha posição. Não sou de forma alguma. Tenho 42 anos e cinco mandatos como vereador. Tenho minha convicção de fé. Minha mãe é católica e eu sou evangélico. Sou heterossexual e respeito todas as opções. Minha única preocupação é a de manter a ordem pública, junto com as outras instituições.

DL – O senhor acredita que o Município pode ser parceiro do Estado na questão de segurança pública?
Bili – A médio e longo prazo sim, com investimentos na área da educação e assistência social. O Jepom  (Jovens no Exercício do Programa de Orientação Municipal) sairá da segurança para a assistência social. Vamos capacitar e aparelhar a guarda futuramente.

DL – O que o vicentino pode esperar do senhor?
Bili – Preciso que o cidadão acredite em nossas ações. Estou cumprindo um novo ciclo em minha vida. Fui eleito para ser prefeito, não para ser rei. Não tenho nenhum projeto familiar de perpetuação no poder. Vou honrar cada dia, cada gota de suor e cumprir minhas obrigações.