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Política

Foi do meu governo para se preparar para ser candidato?, diz Bolsonaro sobre Moro

Questionado sobre recentes críticas feitas por Moro, Bolsonaro primeiro destacou que o ex-ministro permaneceu por um ano e quatro meses na Esplanada

Bolsonaro disse que Moro não sabe o que é ser presidente nem ministro / Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou, em entrevista transmitida nesta segunda-feira (10), o ex-ministro da Justiça Sergio Moro e sugeriu que o agora pré-candidato à Presidência aderiu a seu governo para se lançar na disputa pelo Palácio do Planalto.

"Ele foi do meu governo para fazer um trabalho sério, para se blindar ou para se preparar para ser futuro candidato a presidente da República?", questionou Bolsonaro, durante entrevista à TV Jovem Pan.

A entrevista do mandatário foi gravada na semana passada e veiculada nesta segunda.

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Questionado sobre recentes críticas feitas por Moro, Bolsonaro primeiro destacou que o ex-ministro permaneceu por um ano e quatro meses na Esplanada.

"Ele esteve um ano e quatro meses comigo. Não descobriu nada do governo? Prevaricou?"

Moro deixou o governo em 2020, acusando o mandatário de tentar interferir na Polícia Federal.

O presidente repetiu ainda o relato de que Moro teria condicionado uma troca no comando da Polícia Federal, como queria Bolsonaro, à sua indicação para uma vaga de ministro do STF. O ex-ministro nega.

"Ele aceitava mandar embora o [então] diretor-geral [da Polícia Federal Maurício Valeixo] só em setembro, quando eu o indicasse para o Supremo. Que petulância, que petulância", disse Bolsonaro.

O presidente sugeriu ainda que Moro não tem compromisso com pautas conservadoras como o armamento da população e a oposição ao aborto.

"Nada aparece ali. 'Não, que nós temos que combater milicianos, não sei o quê. Corrupção... Ele ficou um ano e quatro meses comigo, o que eu fiz no tocante à corrupção? Quem tirou o Lula da cadeia não fui eu, foi o Supremo Tribunal Federal", disse Bolsonaro.

Moro abandonou a 13ª Vara de Curitiba para assumir o Ministério da Justiça de Bolsonaro, logo após o segundo turno das eleições de 2018, com a promessa de que teria carta-branca na pasta.

Depois de deixar a Esplanada, o principal revés do ex-juiz ocorreu em junho deste ano, quando o STF o declarou parcial no julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex.

De acordo com o mais recente Datafolha, Moro aparece com 9% das intenções de voto no primeiro turno –ainda distante de Lula (48%) e Bolsonaro (22%), que têm polarizado a disputa.

Enquanto juiz da Lava Jato, Moro condenou Lula no caso do tríplex do Guarujá.

O ex-presidente ficou preso por 580 dias em Curitiba. Ele foi solto após o STF ter mudado entendimento sobre prisão após segunda instância, determinando que só pode ocorrer após o trânsito em julgado (fim dos recursos).

Em 2021, o STF anulou as condenações proferidas contra Lula pela 13ª Vara Federal da Justiça Federal de Curitiba. Meses depois, em uma dura derrota para o ex-juiz, o Supremo declarou Moro parcial na condução do processo.

Diferentes pontos levantados pela defesa de Lula levaram à decisão dos ministros, como condução coercitiva sem prévia intimação para oitiva, interceptações telefônicas do ex-presidente, parentes e advogados antes de adotadas outras medidas investigativas e divulgação de grampos.

A posse de Moro no governo Bolsonaro e os diálogos entre integrantes da Lava Jato obtidos pelo site The Intercept Brasil também pesaram.

As conversas dos aplicativos de mensagem expuseram a proximidade entre Moro e os procuradores da Lava Jato.

O então juiz indicou testemunha que poderia colaborar nas investigações contra Lula, orientou inclusão de prova contra réu em denúncia do Ministério Público, entre outros elementos explorados pelas defesas dos condenados na Operação Lava Jato.

Moro e os procuradores sempre repetiram que não reconhecem a autenticidade das mensagens, mas que, se verdadeiras, não contêm ilegalidades.

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