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Evaldo Stanislau: ‘‘Ou o PT muda, ou mudamos nós do PT”

Vereador santista critica o partido e abandona a liderança da bancada

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06 FEV 201510h52

Vereador em primeiro mandato, o médico Evaldo Stanislau surpreendeu a todos na sessão de ontem ao ler um manifesto, de 22 linhas, para explicar a razão de abrir mão da liderança da bancada do PT na Câmara de Santos. A função passa para o outro parlamentar da legenda, Adilson Júnior.

Em uma fala emocionada, criticou a passividade do PT na missão de se defender das críticas de corrupção. “O partido político ao qual me filiei não é esse que está na berlinda”, afirmou.

Evaldo destacou que se mantém leal aos princípios de buscar na Política a forma de servir aos menos favorecidos e mandou o seguinte alerta à legenda da estrela vermelha: “Ou o PT muda, e talvez já seja tarde para isso, ou mudamos nós do PT!”. Após o discurso, Evaldo deu a seguinte entrevista:

Diário do Litoral - O que levou o senhor a tomar essa medida de renunciar a liderança de bancada?

Evaldo Stanislau – Acho que os princípios políticos que devem nortear um homem público são esses: o bem comum, trabalhar pela justiça, trabalhar pelos mais fracos. Não sejamos ingênuos. Essa crise política é sobretudo uma crise de hipocrisia porque no mundo político, nos partidos, há corrupção em todos. Mas o discurso ético, o discurso do fazer diferente, sempre foi nosso. O PT faz ainda e continuará fazendo, espero, um bom governo. Mas do ponto de vista político está muito mal direcionado. Nós precisamos de uma reformulação e expurgar imediatamente as pessoas que não justificam o nosso passado, os nossos princípios. Ou o PT, de fato, vai sumir no universo político. Não dá para compactuar com tudo isso. Eu, de certa forma, estou me posicionando. Sou um homem público, tenho de me posicionar.

DL – O senhor já mostrou essa insatisfação em algum encontro interno do PT?

Evaldo – Estamos em um momento de fragilidade grande. Evidentemente, no PT há muita gente boa, honesta, íntegra. Tem esse sentimento. Agora, entre ter o sentimento e agir, acho que a gente precisa agir. O que a população brasileira, o que a opinião pública espera, é ver um governo que se fortaleça a partir dessa depuração que precisa ser feita. A gente precisa sair do discurso e ir para a ação. Eu não tenho dúvida do meu lado. Eu não tenho dúvida da minha ideologia. Na última reunião do diretório, a gente conversou. Mas acho que a gente chegou ao limite e temos de tomar atitudes.

evaldo disse estar triste, mas lúcido ao tomar a decisão (Foto: Luigi Di Vaio/DL)

DL – O senhor admite a possibilidade de deixar o partido?

Evaldo – Eu admito que não me sinto hoje em condições de liderar a bancada até por essa condição de não concordar com o que está acontecendo. Eu não nasci político e não faço da Política minha profissão, faço por uma questão de achar que é importante. Política é necessária. Eu vou continuar fazendo política dentro de um partido ou fora de um partido. Nesse momento, eu sou filiado ao Partido dos Trabalhadores, faço essa crítica pública, faço esse ato simbólico de abrir mão da liderança no intuito de que as pessoas realmente comecem a também se movimentar para que a gente entregue para a população pelo menos um pouco do que foi, do que representou, o Partido dos Trabalhadores.

DL – E se não houver mudança interna na legenda, o senhor admite a possibilidade de deixar o partido?

Evaldo – Eu espero que mude.

DL – Pela sua atuação, o senhor chegou até a ter o nome cotado para ser candidato a prefeito em 2016. Isso não pesa para o senhor continuar no PT?

Evaldo – Eu sou médico, sou cidadão. Quero atuar como médico e como cidadão. Qualquer outro passo, no futuro, é consequência do momento e das atitudes que a gente toma. O que eu demonstrei aqui é que a gente tem um norte. E que esse norte está intacto: que é fazer política para os menos favorecidos. Eu não vejo no atual prefeito os pré-requisitos ideais para Santos, não acho que a Administração seja boa, continuo na oposição a este governo e vamos aguardar. Não tenho nenhum tipo de projeção ou ambição.

DL – O senhor citou que o PT ao qual se filiou não é o mesmo de hoje. O senhor se sente decepcionado com o partido?

Evaldo – Eu diria que com algumas lideranças partidárias e dirigentes. Não vou falar nomes, mas sinto, de uma maneira geral, desconexão entre quem é dirigente partidário  com o que está ocorrendo na base, na vida real. Eu não estou desconectado do mundo real.

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