Erguer a economia será o maior desafio do futuro presidente

Em 1º de janeiro de 2019, um novo presidente da República terá em suas mãos o destino de mais de 209 milhões de brasileiros e uma pauta complexa de desafios a serem vencidos, principalmente nas áreas econômica, política e social, nos próximos quatro anos.

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28 OUT 2018Por Da Reportagem06h02
Jair Bolsonaro e Fernando Haddad disputam hoje (28) o 2º turno das eleições.Jair Bolsonaro e Fernando Haddad disputam hoje (28) o 2º turno das eleições.Foto: Ilustração/DL

Em 1º de janeiro de 2019, um novo presidente da República terá em suas mãos o destino de mais de 209 milhões de brasileiros e uma pauta complexa de desafios a serem vencidos, principalmente nas áreas econômica, política e social, nos próximos quatro anos. 

O Diário do Litoral consultou três especialistas sobre os desafios que o próximo presidente da República terá no novo capítulo da história do Brasil, que começará a ser escrita num futuro breve. Cada um, com sua visão divergente, mas que convergem no fato de que seja Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad o presidente, ambos enfrentarão dificuldades para governar diante de um Congresso Nacional com um perfil ainda mais conservador que o da legislatura atual.    

Para os cientistas políticos Fernando Wagner Chagas e Rafael Moreira, a recuperação da economia é a prioridade número um para que seja possível ampliar investimentos nas áreas sociais mais urgentes como segurança pública, saúde e educação. No entanto, para conseguir governar, o presidente eleito precisará se conectar ao novo Congresso Nacional conservador, em sua maioria, e aos partidos políticos. 

Já para o jornalista e advogado Douglas Martins, que é doutorando em filosofia política, o maior desafio será “trazer o país à normalidade democrática, com desenvolvimento econômico e demonstrar à sociedade que a política é a única alternativa à barbárie”.

Chagas: ‘O principal desafio será o equilíbrio das contas públicas’

O cientista político e economista Fernando Wagner Chagas analisa que o principal desafio do próximo presidente da República será o equilíbrio das contas públicas. Ele afirma que, para isso, o futuro presidente terá que tomar pelo menos seis medidas de austeridade. São elas: as reformas da Previdência, tributária e orçamentária, congelamento de salários dos servidores públicos federais, privatizações e criação de tributo como a CPMF, por exemplo. “Essas seis medidas são necessárias para o país não ficar insolvente, mas são medidas antipáticas. O próximo presidente vai precisar convencer o Congresso e a população de que as medidas são cruciais para equilibrar as finanças do país e recuperar a economia, o que vai ser muito difícil”, afirma. 

Chagas ressalta que a situação do país é grave e não acredita numa recuperação da economia a curto prazo, especialmente com a nova formação do Congresso Nacional. “Nós teremos um Congresso extremamente conservador, com as três bancadas BBB: da Bala, da Bíblia e do Boi. Se o presidente for o Bolsonaro, ele deverá negociar com as bancadas, mas assim ele beneficia as bancadas e não a população. Teria que negociar com os partidos, o que ele não pretende, mas para isso teria que ceder cargos no Governo. Já se o presidente for o Haddad, vai ser ainda mais difícil, com um Congresso extremamente conservador. Se o futuro presidente, seja ele quem for, optar por medidas populistas, em vez das medidas conscientes, o país tenderá a insolvência em quatro a cinco anos”, analisa Chagas.

O cientista político prevê ainda que caso o futuro presidente não tome nenhuma dessas medidas de austeridade, precisará emitir moeda, o que poderá levar a um processo inflacionário semelhante ao dos anos 1980. “A inflação poderá chegar de 10% a 15% em 2020, 2021. Atualmente, o Brasil tem um déficit anual de R$ 150 bilhões e uma dívida interna que corresponde a 80% do PIB. Hoje, a União precisa cortar gastos de custeio e não tem recursos para investimentos. Precisa reduzir o déficit anual e a dívida interna”, explica Fernando Chagas.

O economista salienta ainda que caso o Brasil não tome as medidas necessárias para equalizar as finanças, a economia, o mercado é que vai ditar as regras. “Se o país ficar insolvente, com inflação a 15%, perde credibilidade e inviabiliza a entrada de investimentos da livre iniciativa, empresas nacionais e internacionais”, comenta.

Para o cientista político, somente após o governo equilibrar as finanças é que poderá investir nos demais desafios como segurança pública, saúde e educação entre outras áreas sociais.