Eleitor está mais consciente e faz dobrar audiência no horário eleitoral na TV

No dia 3 de outubro, 135,8 milhões de brasileiros têm um compromisso com a cidadania

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20 JAN 201311h07

Exercer o direito de votar e o dever de fazer uma escolha consciente entre àqueles que concorrem a presidente da República, governador, deputado federal, deputado estadual e a senador.

Segundo análise do jornalista e cientista político, Fernando Chagas, o aumento de eleitores interessados no horário eleitoral gratuito aponta para uma maior conscientização do eleitorado brasileiro. “Este ano, mais do que nos outros anos, o horário eleitoral gratuito tem tido uma boa audiência.

É normal ter audiência nos primeiros 15 dias, porém, não tanto quanto tem este ano. Depois tem uma queda e nos últimos 15 dias o programa de 50 minutos volta a ter audiência, que é quando o eleitor vai definir o seu voto. Nos primeiros dias dos anos anteriores deu uma audiência média de 25%. Este ano, a audiência é de 45%. Então, houve realmente um interesse maior, o que mostra também um amadurecimento do eleitorado. Ele quer comparar as propostas”, afirmou.

A televisão tem um papel decisivo na campanha eleitoral e na escolha dos candidatos. É o meio de comunicação de maior alcance porque atinge os eleitores de todas as camadas sociais. “65% dos eleitores escolhem seus candidatos pela televisão, não diretamente pelo horário eleitoral, mas pelos noticiários e inserções publicitárias durante a programação. O eleitor busca se informar mais, principalmente pelo telejornalismo”, apontou Chagas.

No entanto, a televisão só favorece os candidatos aos cargos majoritários, segundo análise do cientista político. “O horário de televisão só é interessante para os candidatos ao Poder Executivo, para a Presidência da República e para governador. Não tem o menor efeito para as eleições proporcionais a deputado estadual e federal”.

Debates

No primeiro debate, o brasileiro quer conhecer os candidatos, mas espera o último debate para decidir o seu voto.

Emoção x razão

Chagas afirmou que o apelo emocional na peça de campanha favorece a conquista de votos. “O eleitor decide seu voto pela emoção e não pela razão, principalmente na televisão. O eleitor até aceita as críticas, mas agressões de candidatos, não”.

Chagas citou ainda um dado curioso. “O homem decide pela emoção e a mulher com a razão. A mulher reflete mais na hora de decidir o seu voto, porque pensa mais no interesse da coletividade”.

Eleições proporcionais

Chagas explicou que os candidatos a deputado têm duas desvantagens no horário eleitoral gratuito. A primeira é o tempo curto para se expressar e a segunda é o descrédito do eleitor. “O tempo do candidato à (eleição) proporcional, a deputado estadual e a deputado federal, é muito pequeno.

Ele não consegue passar a mensagem. E o eleitor é muito sério ao assistir os programas dos candidatos a presidente e governador, mas aos programas dos candidatos às eleições proporcionais ele assiste para se divertir. Virou um grande circo para ele. Então o eleitor presta atenção e com seriedade aos candidatos a presidente e governador do Estado, embora decida pela emoção, e se diverte com os candidatos a deputado, é como um programa humorístico para o eleitor”.

No entanto, Chagas enfatizou que o eleitor está cada vê mais consciente do seu papel no processo democrático e mais amadurecido. “Hoje o eleitor não vota mais pela brincadeira na televisão, não vota pela ideologia, mas em busca do seu interesse individual e coletivo”.

Perguntado sobre como o eleitor escolhe seus candidatos a deputado estadual, federal e senador, Chagas respondeu que “o eleitor decide o voto se as propostas do candidato ou do partido atendem ao seu interesse individual ou coletivo, vota por recomendação do vizinho, do parente ou do colega de trabalho, que, para ele, é politizado”.

O que fazem os deputados e senadores?

Os candidatos a deputado estadual e federal e a senador, ainda que se empenhem e trabalhem arduamente durante todo o processo eleitoral até o dia 3 de outubro, enfrentam uma realidade ingrata. O horário eleitoral não favorece, o interesse do eleitor é baixo e, pior, a maioria do eleitorado não sabe quais são as funções dos deputados e senadores e quem eles representam.

Fernando Chagas esclareceu que os deputados representam o povo. Já os senadores representam os estados. As cadeiras na Câmara Federal são proporcionais à população de cada estado não podendo ultrapassar o limite máximo de 70 deputados. O mínimo é oito deputados por estado.

Já nas Assembleias Legislativas não existe proporcionalidade entre o número de cadeiras e a população. O número de deputados estaduais responde às regras previstas na Constituição de cada estado. Os deputados são eleitos a cada quatro anos.

Já no Senado há um limite de três representantes para cada Estado com mandato de oito anos cada um. A cada quatro anos há renovação de senadores por meio das eleições, ou o eleitor terá que eleger um novo senador ou dois novos senadores, dependendo do tempo de mandato dos representantes de seu estado.

Os deputados têm a função de apreciar e votar projetos de lei de iniciativa do Poder Executivo, propor e votar projetos de sua autoria e fiscalizar as contas públicas e controlar os atos administrativos do Governo Federal ou estadual, respectivamente na Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Além disso, os deputados têm a função de julgar o chefe do Executivo quando for necessário e representar a população no Poder Público.

Já aos senadores cabe também à apreciação e votação de proposituras do Executivo e representar os interesses dos estados. O Senado, também classificado como Câmara Alta, aprova resoluções para atos internacionais e de financiamento.