Doria pode chamar Meirelles para Fazenda

O tucano considera o emedebista o "secretário dos sonhos", mas ainda não fez um convite formal

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12 NOV 2018Por Estadão Conteúdo15h00
Presidente do Banco Central na gestão Lula e ministro da Fazenda de Temer, Meirelles obteve pouco mais de 1% dos votos válidos na disputa presidencialPresidente do Banco Central na gestão Lula e ministro da Fazenda de Temer, Meirelles obteve pouco mais de 1% dos votos válidos na disputa presidencialFoto: José Cruz/Agência Brasil

O governador eleito de São Paulo João Doria (PSDB) disse a interlocutores que gostaria de contar com o ex-ministro Henrique Meirelles, candidato derrotado do MDB à Presidência, em sua equipe como secretário da Fazenda, destaca o jornal O Estado de S. Paulo.

O tucano considera o emedebista o "secretário dos sonhos", mas ainda não fez um convite formal. Terminado o primeiro turno, Meirelles abriu conversas com diversas instituições do mercado financeiro para voltar à iniciativa privada.

Presidente do Banco Central na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministro da Fazenda de Michel Temer, Meirelles obteve pouco mais de 1% dos votos válidos na disputa presidencial.

Doria já anunciou três ministros de Temer em seu secretariado: Rossieli Soares, na Educação; Gilberto Kassab (PSD), na Casa Civil, e Sérgio Sá Leitão, na Cultura. O atual ministro da Fazenda de Michel Temer, Eduardo Guardia, teve uma conversa reservada com o governador eleito na semana passada, mas também não houve convite formal para o cargo.

Assim como o presidente eleito Jair Bolsonaro fez, em Brasília, com Sérgio Moro, Doria vai anunciar nesta segunda-feira, 12, um magistrado que vai comandar a Justiça: o desembargador Paulo Dimas Mascaretti, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A negociação foi fechada no final de semana e envolveu diretamente a cúpula do Tribunal de Justiça.

Doria também vai anunciar o primeiro nome tucano de seu secretariado. Dos cinco titulares escolhidos até agora, nenhum é do PSDB, o que gerou críticas do presidente da sigla em São Paulo, Pedro Tobias.

"Acho estranho ele não ter indicado ninguém do PSDB. Doria precisa tratar o partido com mais carinho. O PSDB esteve ao lado dele na campanha", disse o deputado estadual Pedro Tobias, presidente estadual da legenda.

Tucanos

Vinte quatro anos depois de o PSDB chegar ao poder em São Paulo, o governador eleito está montando sua equipe sem consultar o partido, que já está fora dos principais cargos políticos do Palácio dos Bandeirantes.

Dos sete secretários anunciados até o momento, nenhum é tucano. O PSDB deixará de comandar a partir de 2019 pastas estratégicas como a Casa Civil, que terá como titular Gilberto Kassab, presidente do PSD, e Secretaria de Governo, que terá suas atribuições absorvidas por Rodrigo Garcia (DEM).

No último mandato do ex-governador Geraldo Alckmin (2015-2018), os tucanos comandaram oito das 23 secretarias, em uma partilha generosa com o partido, que ficou com as pastas politicamente estratégicas, como Casa Civil e Governo, e que contam com importantes vitrines da gestão, como Saúde, Logística e Transportes e Transportes Metropolitanos.

Ao todo, os quadros do PSDB no primeiro escalão administraram um orçamento de R$ 43 bilhões, 34% do total. Das secretarias com mais recursos, Saúde (R$22,4 bilhões) ficou com o médico tucano David Uip, enquanto que Educação (R$ 30,8 bilhões) e Segurança Pública (R$ 21,3 bilhões), historicamente mais problemáticas, tiveram nomeações técnicas, da cota do ex-governador.

Alckmin também alocou em seu secretariado dois tesoureiros de campanha do PSDB. Marcos Monteiro, que comandou as finanças na eleição de 2010, foi secretário de Planejamento e Gestão.

Já Clodoaldo Pelissioni, que atuou na reeleição em 2014, assumiu Transportes Metropolitanos, pasta responsável pelas obras de trem e metrô.

Legendas

Além do PSB de França, o governo Alckmin contava com outras oito legendas alojadas no primeiro escalão. O vice-governador eleito, Rodrigo Garcia (DEM), por exemplo, era o titular da Habitação. PHS, PP, PPS, PRB, PTB, PV e Solidariedade tinham uma indicação cada. Já o PSD do ministro de Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, não tinha espaço no secretariado alckmista. Todos os partidos que apoiaram Alckmin tiveram algum espaço na gestão, mas nenhum com mais de uma secretaria no governo.