Doria defende afastamento de Alckmin do PSDB em meio a apuração de caixa 2

Na semana passada, Doria afirmou em uma entrevista à revista Veja que todos os membros do partido envolvidos em investigações já deflagradas deveriam pedir licença da legenda

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13 JUN 2019Por Folhapress16h04
João Doria defende o afastamento de Geraldo Alckmin do PSDBFoto: Agência Brasil

O governador João Doria (PSDB-SP) afirmou em entrevista ao programa Ponto a Ponto, da BandNews TV, que o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) deveria se licenciar do partido enquanto estivesse sob investigação. Em abril, Alckmin teve os bens bloqueados em até R$ 9,9 milhões em um processo que investiga o repasse de caixa dois da Odebrecht para a campanha dele ao governo paulista, em 2014.

Na semana passada, Doria afirmou em uma entrevista à revista Veja que todos os membros do partido envolvidos em investigações já deflagradas deveriam pedir licença da legenda. 

Se isso não ocorresse, deveriam ser expulsos pois demonstrariam que não têm grandeza de alma nem confiança na própria inocência. Portanto, não mereciam estar no PSDB.

Questionado se o princípio valeria também para Alckmin, que foi seu mentor político, Doria respondeu que sim. 

"Inclusive o governador Geraldo Alckmin. Que é um homem de bem, é um homem correto. Eu conheço a sua historia, conheço a sua vida. É um homem modesto, nos seus bens, na sua postura, no pouco que pôde acumular como assalariado público que foi ao longo dos últimos 42 anos. Eu acredito na sua inocência", disse Doria.

Mesmo assim, seguiu, "todos aqueles que estão sob investigação, confiando na sua inocência, e certos da sua inocência, deveriam pedir licença. Inclusive o governador. Com toda a grandeza, com toda a alma, e o meu sentimento de que ele é absolutamente inocente, um homem correto, probo, um homem de bem", repetiu. 

Segundo Doria, depois de feita a defesa e concluído o processo com a sua inocência, Alckmin votaria para o PSDB.

"E volta melhor, com grandeza, com firmeza, com posições altivas, como cabe a um grande líder, que é o caso do governador Geraldo Alckmin. E isso se aplica também a outros", afirmou o governador.

Para ele, esse seria "um bom caminho ético. Sem criar confrontos, sem estabelecer juízos".

Ele ressalvou que falava como "governador de São Paulo e militante do PSDB", já que não faz parte da executiva do partido. 

Moro

No mesmo programa, comandado pelo sociólogo Antônio Lavareda e pela jornalista Mônica Bergamo, colunista do jornal Folha de S.Paulo, Doria comentou o escândalo das mensagens trocadas entre o ministro Sergio Moro, da Justiça, e os procuradores da Operação Lava Jato.

O governador se encontrou na terça (11) com o presidente Jair Bolsonaro, em SP. "Ele mostrou confiança no ministro Sergio Moro, diz que confia, acredita no ministro Sergio Moro, [disse] que ele é importante dentro da estrutura de governo e que reafirmava a sua confiança no ministro."

Doria disse que preferia não fazer juízo sobre Moro e que tem "muito respeito pelo ministro". "Ele ajudou a construir uma nova etapa na justiça brasileira, ao lado de procuradores e policiais federais, de pessoas que foram patriotas e construíram uma conduta correta, a meu ver, que ajudou o Brasil".

Sobre a reforma da Previdência, ele disse acreditar que ela será aprovada e que está sendo "otimista, mas realista".

O governador afirmou acreditar que a proposta passará pela Câmara até 15 de julho, antes do início do recesso, e pelo Senado em agosto.

Ele disse ainda que o Governo de São Paulo, estado que representa 32% da economia brasileira, não está esperando pela reforma para adotar políticas que combatam a crise econômica e gerem emprego.

"Começamos a governar desde o inicio", disse ele, afirmando que "até os adversários reconhecem que montamos um bom secretariado, sério, capacitado e experiente".

Segundo ele, em cinco meses foram criados 195 mil novos postos de trabalho no estado, ou "40% do que foi gerado no país". "Não ficamos esperando a reforma da previdência. Nós agimos", afirmou.

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