Discurso de Alckmin como chefe do PSDB deverá incluir críticas ao PT

O tom exato da fala, que deverá ocorrer ao fim da convenção nacional do PSDB em Brasília neste sábado (9), ainda está sendo modulado

Comentar
Compartilhar
09 DEZ 2017Por Folhapress04h30
Discurso de Alckmin pregará a unidade partidária e deverá conter elementos de antipetismoFoto: Divulgação/Fotos Públicas

O primeiro discurso do governador Geraldo Alckmin (SP) como presidente do PSDB e presidenciável tucano para 2018 pregará a unidade partidária e deverá conter elementos de antipetismo, responsabilizando as gestões da sigla de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff por mazelas econômicas e casos de corrupção.

O tom exato da fala, que deverá ocorrer ao fim da convenção nacional do PSDB em Brasília neste sábado (9), ainda está sendo modulado. Segundo a reportagem apurou junto à cúpula tucana, a tendência é a manutenção do antipetismo, ainda que haja acenos a um eleitorado mais à esquerda.

Isso sugere que Alckmin mira a fatia do eleitorado que apoia o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por antipetismo, embora seja improvável que com isso atinja aqueles que dizem votar no pré-candidato por suas posições mais extremadas e antiestablishment. O governador, afinal, é uma figura tradicional da política.

Alckmin topou presidir o PSDB num movimento para evitar que o partido rachasse entre a ala mais jovem, liderada pelo senador Tasso Jereissati (CE), e o grupo do governador Marconi Perillo (GO). Além de ganharem cargos na divisão do butim de poder, ambos serão alvo de deferências do tucano em seu discurso.

O partido ainda tenta demover Aécio Neves, seu presidente licenciado desde que foi atingido pela delação da JBS em maio e fonte de grande desgaste junto à opinião pública, de participar da convenção. Tucanos temem o dano à imagem de Alckmin na primeira grande fotografia da campanha.

Há ainda a questão da vontade do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, de disputar prévias e provocar Alckmin a aceitá-las. Líderes da sigla estão conversando sobre como lidar com o assunto.

Ainda sobre a parte "presidencial" do discurso, o tucano deverá seguir a abordagem híbrida sugerida em documento coordenado pelo ex-senador José Aníbal e endossada em entrevista à Folha de S.Paulo nesta sexta (8) pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defendendo crescimento econômico, responsabilidade fiscal, temas cotidianos como segurança pública e acenando à esquerda com promessa de maior inclusão social.

FHC foi defensor do movimento para colocar Alckmin na chefia do partido, que além de ajudar a unificar a legenda lhe garante palanque de mídia e estrutura para viagens políticas após sua desincompatibilização, que deve ocorrer em abril.