Dilma entra em campo para tentar diminuir tensão política

Cobrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente chamou nesta quinta-feira para um almoço no Palácio da Alvorada os senadores mais influentes do PMDB

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10 ABR 201421h01

Cobrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que atue politicamente e neutralize o impacto da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, a presidente Dilma Rousseff resolveu entrar em campo para tentar diminuir o tensionamento político e reverter a queda nas pesquisas de intenção de voto.

Dando mostras de que pretende na reta final de seu mandato comandar a coordenação política do governo e da campanha à reeleição, Dilma chamou nesta quinta-feira para um almoço no Palácio da Alvorada os senadores mais influentes do PMDB: o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o líder do governo, Eduardo Braga (AM), o líder do partido, Eunício Oliveira (CE), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Vital do Rego (PB).

O script anti-crise incluiu a promessa a Eunício Oliveira que fará de tudo para garantir a ele a vaga na disputa para o governo do Ceará na coligação composta pelo PT e pelo PROS dos irmãos Cid e Ciro Gomes, uma reivindicação antiga do PMDB. A presidente pediu ainda empenho dos senadores para aprovar o Marco Civil da Internet no Senado na semana que vem. A ideia é que ela sancione a lei antes da conferência internacional sobre governança na internet, marcada para os dias 23 e 24, em São Paulo. Dilma quer usar a lei que regulamenta a internet para dar uma resposta à espionagem feita pelos Estados Unidos em seu governo. Os senadores prometeram votar a proposta já na semana que vem.

Dilma fez ainda consultas sobre o novo nome a ser indicado para o Tribunal de Contas da União (TCU) pelo Executivo, visto que o do senador Gim Argello (PTB-DF) foi tão combatido dentro e fora da Corte que se viu obrigado a abrir mão de suas pretensões. Haverá duas vagas no tribunal, uma que cabe ao Senado a nomeação, e outra ao Palácio do Planalto. Gim entraria como um nome do Senado. Dilma perguntou aos senadores se, na vaga do Executivo, haveria clima para a indicação da ministra Ideli Salvatti (Direitos Humanos). Ouviu, como resposta, que não deverá haver problemas quanto à aceitação de Ideli.

Dilma Rousseff tenta diminuir tensão política (Foto: Divulgação)

Já os peemedebistas trouxeram para ela um nome para o lugar de Gim: Bruno Dantas, ex-consultor Jurídico do Senado, que atualmente está no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Trata-se de uma indicação do senador José Sarney (PMDB-AL), de quem foi consultor jurídico no Senado, quando presidia Casa. Gim Argello foi alvo de manifestações por funcionários do TCU contrárias à sua indicação e provocou reações até mesmo do presidente do Tribunal.

Apoio. A presidente ainda fez gestos pela manhã aos movimentos sociais, que ao longo do seu mandato se queixaram do distanciamento da presidente. Em um encontro que durou uma hora e meia, conversou com representantes do Movimento Passe Livre e de outros movimentos sociais, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Fora do Eixo, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Segundo os presentes, foi assertiva ao dizer que não iria reprimir manifestações neste ano. "A luta não se foca só nos parlamentos, precisa de mobilização das ruas", afirmou Dilma, que comparou o engajamento dos jovens ao movimento pelas Diretas Já. "Digerimos a ditadura indo à rua, indo à briga", disse, com ênfase.

Ainda hoje a presidente gravou uma série de mensagens em vídeo para serem apresentadas em inaugurações de entrega de projetos do Minha Casa, Minha Vida e em formaturas de turmas do Pronatec. Estes são dois dos programas vitrines para a campanha à reeleição da presidente. Para cada cidade, ela fez uma gravação. Com isso, acha que pode suprir a ausência em eventos e onde não poderá estar presente.

Dilma vai avançar também Estados de seus futuros adversários. Na quarta-feira, 16, ela irá a Ipojuca, em Pernambuco, para o lançamento da viagem inaugural do Navio Dragão do Mar, no Complexo Portuário de Suape. A viagem seria na segunda-feira, mas foi adiada para quarta-feira. A entrada de Dilma em campo teve ainda mais um episódio na noite de ontem. Dilma recebeu em seu gabinete, no Planalto, o apoio formal do PDT à sua candidatura à reeleição. O apoio foi levado pelo presidente do partido, Carlos Luppi, acompanhado do ministro do Trabalho, Manoel Dias, e de parlamentares da bancada. Dilma disse a todos que aquela era uma "boa notícia". O PDT vinha negociando o apoio a Dilma como forma de sustentar o ministro Manoel Dias no cargo.