Dilma e Alckmin dividem palanque e trocam farpas em São Paulo

Ontem (26), a presidente e o governador de São Paulo participaram de dois eventos públicos em que dividiram o mesmo palco

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26 JUN 201421h03

A presidente Dilma Rousseff e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) trocaram farpas em dois eventos públicos em que dividiram o mesmo palco nesta quinta-feira, 26, em São Paulo, ao tratarem dos investimentos em mobilidade urbana - tema que envolve recursos dos dois governos e terá destaque na campanha, depois dos protestos de junho de 2013.

"No Brasil, teve um tempo em que não se investia na quantidade suficiente (em mobilidade, saneamento e habitação). Agora nós estamos investindo", afirmou Dilma, numa crítica indireta aos governos do PSDB. O ataque velado ao partido do governador, que era convidado, foi feito nos dois eventos, na capital e em Santos. É a segunda visita do ano ao Estado da presidente para anunciar verba e financiamento para mobilidade.

"No governo Lula começamos a investir em mobilidade em escala", afirmou a presidente, pela manhã, na prefeitura de São Paulo, no anúncio de liberação de R$ 2,640 bilhões do orçamento federal para mobilidade urbana e combate a enchente.

Ao tratar sobre o financiamento para obras do metrô - parte do pacote -, Dilma deu a entender que o empréstimo anunciado era investimento a fundo perdido da União e gerou desconforto no governador, que acabou respondendo ao ato falho no segundo evento, em Santos.

Dilma Rousseff e Geraldo Alckmin participaram de evento na manhã de ontem (Foto: Luiz Torres/DL)

O anunciou era sobre o financiamento de R$ 1,6 bilhão para a Linha 6-Laranja do Metrô, contrato assinado por Alckmin e pelo presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Esse dinheiro será pago pelo Estado em longo prazo.

"A presidente Dilma está com recursos do Orçamento Geral e a outra metade do financiamento, para não onerar os municípios, nós vamos dividir ", afirmou Alckmin, ao chamar atenção em Santos de que na construção do corredor metropolitano local que era anunciado no evento, havia sim recursos a fundo perdido da União, sem citar o episódio de horas antes.

Dilma explicou então, em discurso depois do governador, que considerava os financiamentos do governo federal para essas obras um negócio de "mãe para filho" - na tentativa de relativizar o anuncio do financiamento do metro, feito em São Paulo, como sendo investimento federal.

"É um financiamento de mãe para filho porque no Brasil tinham o hábito de financiar obra vultosa, de muito dinheiro, no curto prazo. Aí ninguém consegue. Esse financiamento é de 30 anos, com cinco anos de carência. Por isso é de mãe para filho."