Dilma cobra fidelidade da base para abafar 'motivações eleitorais' da oposição

Em seu discurso, a presidente não chegou a citar explicitamente a sigla CPI, mas suas referências veladas não deixaram dúvidas sobre o seu alvo

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01 ABR 201422h02

No momento em que o Congresso Nacional discute a criação de duas CPIs, a presidente Dilma Rousseff cobrou fidelidade dos partidos da base de sustentação do governo no Congresso para abafar as investigações sobre a Petrobras. Em cerimônia nesta terça-feira, 1, no Planalto, Dilma disse esperar que seus aliados impeçam as "motivações eleitorais" escondidas atrás de propostas da oposição.

"Tenho certeza que os nossos aliados saberão agir para impedir que motivações meramente eleitorais acabem por atropelar a clareza e esconder a verdade na busca de respostas e soluções para os grandes problemas nacionais", afirmou a presidente, na cerimônia de posse do ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini (PT). Ele assumiu no lugar de Ideli Salvatti, que foi deslocada para a Secretaria de Direitos Humanos.

Em seu discurso, Dilma não chegou a citar explicitamente a sigla CPI, mas suas referências veladas não deixaram dúvidas sobre o seu alvo. Pressionada por alas do PMDB que tentam constrangê-la, Dilma admitiu que o presidencialismo brasileiro é marcado pela "colisão entre correntes distintas" e pediu a união de todos em nome do interesse nacional.

"Tenho certeza (...) de que aquilo que o nosso povo quer, o governo e o Congresso Nacional unidos saberão fazer. O povo quer ver seus direitos atendidos e mais oportunidades oferecidas por serviços públicos de qualidade. Esse é o compromisso básico de nosso governo, e tenho certeza, do Congresso", insistiu a presidente.

Ao transmitir o cargo para Berzoini, o governo pretende inaugurar um novo modelo de articulação política. Por meio dele, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, cuidará mais do Senado, enquanto Berzoini ficará responsável pela Câmara. Dilma disse que o novo ministro fará uma negociação política "altiva, honesta e respeitosa" com o Congresso.

A presidente Dilma Rousseff cobrou fidelidade da base aliada para abafar 'motivações eleitorais' da oposição (Foto: Agência Brasil)

Berzoini afirmou que sua tarefa é reduzir o tensionamento eleitoral no embate político. "Nós sabemos que o ambiente é político, mas queremos reduzir a disputa eleitoral. A Petrobrás é uma empresa da maior importância para o Brasil, que não pode ser objeto desse tipo de especulação", argumentou Berzoini. "Eu prefiro construir edificações a apagar incêndios".

Na sequencia, completou: "A orientação é que façamos o diálogo com as lideranças da base para ver qual o melhor caminho, justamente para obter o que ela (Dilma) falou no seu discurso, de evitar qualquer tipo de exploração política eleitoral em um assunto tão importante para o Brasil como é a gestão da Petrobras", afirmou.

Berzoini afirmou ainda que "CPI é um direito da minoria", mas que o governo vai brigar para evitar que a imagem da Petrobras saia arranhada de uma investigação parlamentar. "Se é para ter um apuração, que seja rigorosamente no campo da legalidade, reduzindo a disputa política eleitoral. Vamos trabalhar com serenidade, porque é uma empresa da maior importância para o Brasil, que não pode ser alvo desse tipo de especulação", afirmou.

Em sintonia com a estratégia do Planalto, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, adotou tom irônico para se referir à oposição. "CPI nos olhos dos outros é refresco. Agora, por exemplo, querem fazer uma CPI da Petrobras, mas por que não daquele negócio do Metrô de São Paulo?", indagou Bernardo. "Vamos ser sinceros: tudo indica que teve roubalheira naquele caso e até Tribunal de Contas do Estado está envolvido nisso. Por que não apurar logo tudo?".