Dilma anuncia mais US$ 290 mi para Porto de Mariel em Cuba

Ao lado de Raúl Castro, a presidente participou da inauguração da primeira etapa do porto e chamou de "injusto" o bloqueio imposto pelos Estados Unidos

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27 JAN 201420h39

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta segunda-feira, 27, em Havana, que o Brasil vai financiar mais US$ 290 milhões ao governo cubano para a implantação da Zona de Desenvolvimento Especial do Porto de Mariel e disse ter "orgulho" em associar-se ao país. O novo crédito vai se somar aos US$ 802 milhões já emprestados até agora à ilha, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Ao lado do presidente de Cuba, Raúl Castro, Dilma participou da inauguração da primeira etapa do porto e chamou de "injusto" o bloqueio imposto pelos Estados Unidos.

"O Brasil quer tornar-se parceiro econômico de primeira ordem para Cuba", afirmou a presidente. "O Brasil acredita e aposta no potencial econômico e social de Cuba. Mesmo submetido a um injusto embargo econômico, Cuba gera um dos três maiores volumes de comércio do Caribe. Somente com Cuba nossa região estará completa". Para Dilma, a realização da II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos (Celac) em Havana, a partir de hoje, "evidencia a importância" da ilha no processo de integração regional.

Dos US$ 957 milhões orçados para a construção do Porto de Mariel, situado a 45 quilômetros de Havana, o BNDES acertou com o governo cubano que pelo menos US$ 802 milhões devem ser gastos no Brasil, na compra de bens e serviços.

A presidente Dilma Rousseff anunciou mais US$ 290 milhões para Porto de Mariel em Cuba (Foto: Agência Brasil)

Medicamentos

Dilma conversou no domingo à noite com representantes do setor fármaco. Ela quer que empresas de medicamentos brasileiros também se instalem em Mariel. Nos bastidores, a presidente servirá de interlocutora para atrair investimentos para Cuba. "Nós agradecemos à presidente Dilma pela contribuição solidária a um projeto fundamental para a economia nacional", disse Raúl Castro.

A ampliação do crédito em mais US$ 290 milhões já foi aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e espera garantias. Deste total, 85% serão financiados pelo BNDES e 15% terão contrapartida de Havana.

O assunto foi tratado durante reunião reservada mantida por Dilma com Raúl Castro, no Palácio da Revolução, sede do governo. Ela foi recebida pela Guarda de Honra, passou as tropas em revista e apresentou a Castro sua comitiva, composta pelos ministros Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Helena Chagas (Comunicação), Alexandre Padilha (Saúde) e Alexandre Chioro, futuro titular da Saúde.

A reunião foi seguida por almoço. No cardápio, perna de cabrito, recheada com queijo Feta, e acompanhamento de aspargos. De sobremesa, musse de maçã com merengue.

Dilma expôs a Raúl os planos de parceria e disse que sua intenção é aumentar o fluxo comercial entre os dois países. De 2006 a 2013 o superávit para o Brasil, no comércio com a ilha, cresceu 38,2%, alcançando US$ 431,6 milhões.

"Nós financiamos nessa primeira etapa (de construção do Porto de Mariel), por meio do BNDES, US$ 802 milhões em bens e serviços e envolvemos cerca de 400 empresas brasileiras nesse processo. Na segunda etapa, vamos financiar US$ 290 milhões para implantação da Zona de Desenvolvimento, que se tornará peça chave do desenvolvimento econômico cubano", disse Dilma, durante a cerimônia de inauguração do porto. Bandeiras do Brasil e de Cuba eram vistas no terminal.

Mariel está em posição estratégica, de frente para a Flórida, nos Estados Unidos. Na prática, empresas brasileiras começam a apostar no negócio confiantes no avanço das reformas adotadas na ilha, batizadas pelo governo cubano como "atualização do modelo econômico". A privatização dos serviços de táxi foi a mais recente medida de uma lista que inclui incentivo a pequenos negócios, fora do setor estatal, e até a unificação da moeda, esperada para esse ano.

Além disso, um decreto baixado por Castro, em setembro, flexibilizou a estrutura de capital em Mariel. Na tentativa de atrair investidores estrangeiros, o governo de Cuba promoveu mudanças no regime comunista e decidiu adotar a receita chinesa: empresas que se instalarem no porto cumprirão lei trabalhista e bancária diferenciadas. Uma companhia de Cingapura administrará o porto, que terá capacidade de receber 3 milhões de contêineres.