Denúncias do ‘mensalinho’ completam 20 dias

A cobertura completa da denúncia foi veiculada também no jornal Band Cidade

Comentar
Compartilhar
05 MAR 201321h19

Aos vinte dias da denúncia veiculada pela TV Bandeirantes de São Paulo, de suposto esquema de pagamento de propina na Câmara de Guarujá, as investigações avançam no Ministério Público e na Delegacia Seccional da Polícia Civil, em Santos.

O vídeo divulgado pela TV Bandeirantes, no último dia 6, que mostrava seis vereadores da base de sustentação do prefeito, Farid Said Madi, recebendo dinheiro do então presidente do Legislativo, Gilson Fidalgo Salgado (PMDB), teve vasta repercussão não só na Baixada Santista, como em todo o País. A cobertura completa da denúncia foi veiculada também no jornal Band Cidade. O caso também foi matéria de capa do DL do dia 7 e exibida pelo Jornal da Band naquela  noite.

Os parlamentares envolvidos no caso que ficou conhecido como ‘mensalinho’, além de Gilson, são Mário Lúcio da Conceição (PSB), Marcos Evandro Ferreira (PSB), Nílson de Oliveira Fontes (PMDB), Honorato Tardelli Filho (sem partido) e Joaci Cidade Alves (PTB).

O dinheiro distribuído aos vereadores, cerca de 10 mil para cada vereador, seria fruto de propina para manter os situacionistas “sob controle“ de Farid, conforme declarou uma testemunha ouvida pela reportagem da TV Bandeirantes.

Os nomes do prefeito Farid Madi e do secretário de Governo, Antônio Addis Filho, foram citados nas imagens do vídeo feitas nos dias 31 de maio e 1º de junho. No entanto, ambos negam que exista qualquer acordo financeiro entre o Executivo o Legislativo.

Cópias do vídeo foi foram enviadas aos Ministérios Públicos da Capital e de Guarujá e à Delegacia Seccional da Polícia Civil. Já prestaram depoimento à Delegacia Seccional, no 1º Distrito Policial de Santos, os vereadores envolvidos, funcionários da Câmara de Guarujá, o secretário Antônio Addis Filho. O prefeito ainda será chamado para depor.  

O escândalo, o maior da Baixada Santista, dos últimos tempos, abalou a opinião pública provocando revolta e indignação não só à população guarujaense, mas também no meio político e entre entidades de classe. A Ong Renascer Morrinhos e o Sindilimpeza encaminharam representação ao Ministério Público solicitando a efetiva investigação do caso e o afastamento dos envolvidos de seus cargos políticos.

Contudo, até então, somente o vereador Gilson Salgado foi afastado do cargo de presidente do Legislativo por determinação judicial. Enquanto a apuração do suposto esquema ilícito avança na Justiça, emperra na Câmara Municipal. A comissão processante foi aprovada no último dia 12, em sessão ordinária, os membros (da base governista) já foram nomeados e os trabalhos ainda não começaram.

A repercussão do caso trouxe à tona outro esquema ilícito que estaria correndo em paralelo no Legislativo. Desta vez, no gabinete do vereador Marcos Evandro Ferreira (PSB) que estaria aplicando golpe de estelionato contra munícipes. O vereador teria recebido currículos de munícipes prometendo vagas de emprego em troca de R$ 30. Os empregos nunca apareceram, segundo relataram as vítimas. Segue abaixo o cronograma dos acontecimentos:

06/09: A TV Bandeirantes exibe vídeo com seis vereadores da base governista recebendo suposta propina do presidente da Câmara de Guarujá, nos dias 31 de maio e 1º de junho. Farid encaminha nota aos jornais negando qualquer tipo de acordo financeiro entre o Executivo e o Legislativo para garantir sustentação na Câmara. No mesmo dia, o vídeo é encaminhado ao Ministério Público da Capital que inicia a apuração do caso.

07/09: O caso repercute na Cidade e no meio político. População guarujaense fica indignada com suposto esquema de corrupção e exige afastamentos dos vereadores envolvidos. Deputados federais e estaduais da Região declaram esperar que o Ministério Público aprofunde as investigações das irregularidades mostradas no vídeo. A denúncia da TV Bandeirantes é matéria de capa do DL e repercute em rede nacional, no Jornal da Band. O prefeito Farid Madi não participa da solenidade do Dia da Independência, no Município, nem justifica sua ausência.

09/09: Três dias após o escândalo, o prefeito Farid Madi, concede entrevista coletiva negando mais uma vez qualquer envolvimento no suposto esquema de propina. A coletiva aconteceu na inauguração da Praça 14 Bis. “Se houve alguma irregularidade, o MP que prove”, declara.

12/09: Gilson Salgado é destituído do cargo de presidente da Câmara Municipal por determinação do juiz da 4a Vara de Guarujá, Mário Camargo Magano. Salgado recebeu a ação judicial na primeira sessão do Legislativo, após as denúncias. Na mesma sessão, munícipe pede criação de comissão processante para investigar o caso por meio de requerimento. Comissão é aprovada com membros da base governista, mas suposta participação de Farid e Addis, citados no vídeo por Mário Lúcio, não será investigada pela comissão. Compõem a comissão os vereadores Ituo Sato (PTB), Sirana Bosonkian (PDT) e Marcelo Gaspar Pinto (PSDB). Os trabalhos deveriam iniciar em cinco dias, conforme o Regimento Interno da Casa de Leis.

13/09: TV Bandeirantes exibe novas imagens. Desta vez quem aparece recebendo a suposta propina de Salgado é seu antecessor na presidência José Nílton Lima de Oliveira (PP), o Doidão.

15/09: Vereadores envolvidos depõem na Delegacia Seccional, no 1º DP de Santos. Nílson admite que pegou convites da Festa da Tainha, mas declara que dinheiro entregue por Salgado era acerto de dívida e não propina. Joaci não comenta depoimento e Tardelli mantém discurso de manobra política da oposição para gravação.

18/09: Delegado Seccional Elpídio Laércio Ferrarezi dá entrevista coletiva, mas não comenta depoimentos de vereadores envolvidos. Delegado afirma que já está de posse do vídeo e que prosseguirá com as investigações do inquérito criminal para apurar os culpados “doa a quem doer”. Além dos envolvidos, foram chamados a depor, funcionários da Câmara e o secretário de Governo Antônio Addis Filho. O prefeito, Farid Madi, também deverá prestar esclarecimentos.

20/09: ‘Mensalinho’ ganha nova versão. A diretora-administrativa da Câmara, Vera Lúcia Alves Fagundes, diz em depoimento na Delegacia Seccional que apenas brincou pegando o dinheiro, mas devolveu em seguida. Ela declara que Mário Lúcio havia dito que o dinheiro seria entregue a um contínuo para ser depositado. Já o secretário de Governo, Antônio Addis Filho, que também depôs na Seccional, negou qualquer participação no esquema de corrupção do Legislativo.