Denúncias contra cartel ‘ajudam governo’, afirma Alckmin

As ações têm como alvo contratos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e do Metrô fechados durante os governos tucanos de Mário Covas, José Serra e do próprio Alckmin

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26 MAR 201420h56

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem (26) que as cinco denúncias criminais ingressadas anteontem (25) pelo Ministério Público na Justiça contra 30 executivos e ex-executivos de 12 empresas acusadas de participar do cartel de trens "ajudam o governo".

As ações dos promotores paulistas têm como alvo contratos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô fechados durante os governos tucanos de Mário Covas, José Serra e do próprio Alckmin. "Há uma investigação rigorosíssima que avança, e a medida do Ministério Público nos ajuda, porque tínhamos aberto o processo contra as empresas. Essa investigação do MP vem ao encontro do nosso processo e haverá uma punição rigorosa se ficar comprovado o cartel", afirmou o governador após evento em Ribeirão Preto (SP).

O governador referiu-se ao fato de São Paulo ter ingressado no ano passado com uma ação contra as empresas metroferroviárias, a fim de tentar obter de volta o dinheiro de eventuais superfaturamentos causados pelo acerto de preços antes das licitações.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que as denúncias contra o cartel ‘ajudam governo’ (Foto: Alexandre Moreira)

A ação de Alckmin foi movida depois de a Siemens, uma das empresas sob suspeita, ter fechado um acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no qual admitiu a existência de um cartel em São Paulo e no Distrito Federal em troca de abrandamento de futuras sanções administrativas do órgão federal antitruste. As cinco ações propostas pelo Ministério Público paulista anteontem miram apenas os executivos das empresas. Há outras frentes de apuração, porém, que têm agentes públicos como alvo.

A Polícia Federal, por exemplo, já indiciou seis pessoas envolvidas em suspeitas de pagamentos de propina por parte das empresas do cartel. Entre elas está um ex-presidente da CPTM. Nessa investigação, o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, principal delator do esquema, cita o envolvimento de três secretários de Alckmin com o cartel: Edson Aparecido (Casa Civil), José Aníbal (Energia) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento) Como os três são deputados federais licenciados, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal, que precisa decidir agora se dará prosseguimento às investigações. Os três negam ter participado de ilegalidades.