Defesa diz a Moro que assessor de Lula quer filmar depoimento

O ex-presidente será ouvido pelo juiz em uma das três ações que responde na Lava Jato, relativa ao tríplex em Guarujá

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06 MAI 2017Por Folhapress21h30
A defesa de Lula disse ao juiz Sérgio Moro que um assessor de Lula quer filmar o depoimentoA defesa de Lula disse ao juiz Sérgio Moro que um assessor de Lula quer filmar o depoimentoFoto: Instituto Lula

O advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, comunicou nesta sexta (5) ao juiz Sergio Moro que o fotógrafo Ricardo Stuckert, do Instituto Lula, pretende filmar a audiência do dia 10. Nela, Lula será ouvido por Moro em uma das três ações que responde na Lava Jato, relativa ao tríplex em Guarujá.

"A defesa esclarece que pretende realizar a gravação em imagem por meio da câmera 'Sony EX3', montada sobre um tripé, com acesso a uma fonte de energia e monitorada por um profissional devidamente habilitado para a função", disse Zanin Martins, em petição protocolada no processo.

Segundo o advogado, o equipamento será colocado "em local que não venha a comprometer" a audiência e "de forma alguma irá causar qualquer prejuízo para o bom andamento dos trabalhos".

Antes de fotografar para o Instituto Lula, Stuckert trabalhou para a Presidência durante a gestão do petista.

Na quarta (3), a defesa já tinha dito que as filmagens das audiências, com câmera centrada na pessoa que depõe, propagam "uma imagem distorcida dos sucessos verificados na audiência, impedindo que sejam avaliadas a postura do juiz, do órgão acusador, dos advogados e de outros agentes envolvidos no ato".

Eles pediram que o registro fosse modificado, com imagens de todo o recinto e direcionada à pessoa que faz o uso da palavra e disseram que pretendiam gravar a sessão. Em resposta, Moro afirmou que os advogados precisavam esclarecer "como isso seria feito, a fim de evitar perturbações desnecessárias".

O juiz ainda não se manifestou sobre esse novo comunicado. Em fevereiro, Moro reclamou de gravações feitas durante a audiência em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi ouvido como testemunha de defesa de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula.

"O conteúdo da gravação é irrelevante, mas ainda assim trata-se de irregularidade que não deve se repetir. Nenhuma parte tem direito de gravar áudio ou vídeo da audiência sem autorização expressa deste juízo", disse à época.

Testemunho

O Ministério Público Federal recomendou que Moro negue a intenção da defesa do ex-presidente.

O procurador Deltan Dallagnol argumenta que a filmagem fixa no réu tem como objetivo "registrar o ato de maneira mais fidedigna" e que tomadas abertas poderiam captar conversas sigilosas entre advogados e clientes ou entre membros do MPF. Ele lembra que Lula já depôs em Brasília e não reclamou na ocasião do modo como seu testemunho foi gravado.

Os advogados de Léo Pinheiro, sócio da OAS que é réu na mesma ação que Lula, querem que Moro não permita a filmagem paralela. O empresário negocia delação premiada.

Segundo eles, caso a defesa de Lula filme toda a sala de audiência no dia do depoimento, "certamente causará a exposição desnecessária da imagem de todos os presentes no ato".