Cunha vê PMDB fora da aliança com PT em 2018

"Dificilmente o PMDB vai marchar em 2018 com a mesma aliança em que está hoje. Está chegando o momento em que as divergências são maiores que as convergências", afirmou

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09 MAR 201516h17

No momento de maior tensão na relação do PMDB com o governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta segunda-feira, 9, que é pouco provável a manutenção da aliança com o PT nas eleições presidenciais de 2018. "Dificilmente o PMDB vai marchar em 2018 com a mesma aliança em que está hoje. Está chegando o momento em que as divergências são maiores que as convergências", afirmou em entrevista coletiva no Rio após participar de um almoço com empresários promovido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Cunha voltou a acusar o governo de interferência na elaboração da lista enviada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) com pedidos de abertura de inquérito para investigar a participação de políticos no esquema de corrupção da Petrobras. Cunha é um dos 34 parlamentares investigados na operação Lava Jato.

"Não estou satisfeito com a interferência do governo. Quem tem que combater a corrupção é o governo. A corrupção é do governo e da Petrobras", disse, acrescentado que há uma tentativa de dividir o ônus de uma crise do governo.

Eduardo Cunha afirmou que é pouco provável a manutenção da aliança com o PT nas eleições presidenciais de 2018 (Foto: Divulgação)

Para o presidente da Câmara, o comportamento do governo nos pedidos de investigação "compromete confiabilidade". O deputado também voltou a criticar a lista elaborada pelo procurador-geral da República. "A petição do Janot é uma piada, o procurador escolheu a quem investigar. Houve incoerência, com dois pesos e duas medidas", disse.

Cunha comentou o panelaço e as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff, que ocorreram ontem durante o pronunciamento oficial em defesa do ajuste fiscal. O deputado rejeitou a tese de que o movimento foi orquestrado pela oposição e considerou um "sinal de alerta" da insatisfação de parcela da sociedade.

O presidente da Câmara disse que é "natural" a organização de novas manifestações em todo País no dia 15 de março, "desde que não se busque a ruptura". Cunha reiterou ser contrário ao pedido de impeachment da presidente, que considerou uma tentativa de golpe.

O deputado afirmou ainda que é preciso evitar que a crise atual contamine a economia. "Tem uma crise econômica hoje, mas ela é essencialmente política. Nós temos que evitar que o Brasil perca o grau de investimento, a confiança dos investidores, que a instabilidade política não seja fator de afugentar investidores. Precisamos ter consciência do papel que temos que desempenhar para dar um sinal de tranquilidade para os investidores e o mercado. Se não fizermos isso, vamos aprofundar a crise econômica".