Corpo de Chávez é velado onde ele começou sua carreira militar

O caixão percorreu as ruas de Caracas por sete horas, num trajeto de oito quilômetros

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07 MAR 201311h46

O corpo do presidente venezuelano Hugo Chávez é velado na academia onde ele deu início à sua carreira militar. O caixão percorreu as ruas de Caracas por sete horas, num trajeto de oito quilômetros.

A procissão passou por diversos bairros pobres da capital, regiões onde Chávez ganhou visibilidade política. Acompanharam o cortejo todo o governo chavista, incluindo o sucessor ungido por ele, seu vice, Nicolás Maduro. Várias gerações de venezuelanos - muitos deles vestindo roupas vermelhas, a cor do partido socialista de Chávez - preencheram as ruas de Caracas para lembrar o homem que presidiu o país por 14 anos até sucumbir a um câncer na tarde de terça-feira (5).

Depois do cortejo, o corpo de Chávez chegou à academia militar para o velório. Estiveram presentes a família do presidente, seus conselheiros próximos e líderes de países como Argentina, Bolívia e Uruguai. O público chegava, se aproximava do caixão e muitos faziam homenagens colocando as mãos no coração, outros estendiam o pulso em um gesto de solidariedade. A cena se repetiu ao longo de toda a noite.

O chefe da guarda presencial da Venezuela, General José Ornella, disse à Associated Press na quarta-feira que Chávez morreu de um atraque cardíaco depois de muito sofrimento. "Ele não podia falar, mas ele disse com os seus lábios (...) ´Eu não quero morrer. Por favor, não me deixe morrer´, porque ele amava seu país, ele se sacrificou pelo seu país", afirmou ele.

O caixão com o corpo de Hugo Chávez percorreu ruas de Caracas, na Venezuela, rodeado por admiradores (Foto: Agência Brasil)

O silêncio do governo é quase total sobre o rumo que o país vai seguir. Não se sabe ainda local e hora exatos do enterro de Chávez, marcado para sexta-feira. Durante os quase dois anos de luta de Chávez contra a doença, o governo nunca especificou que tipo de câncer ele tinha e nem em que região exata ele estava localizado.

Enquanto isso, opositores já fazem críticas sobre o que vai acontecer com o governo do país após a morte de Chávez, principalmente sobre a nomeação do vice, Maduro, como presidente interino, uma clara violação da Constituição. Criada em 1999, a legislação que estendeu o mandato de Chávez, diz que devem ser convocadas novas eleições em um prazo de 30 dias para escolha de um novo presidente.

Também na Constituição é especificado que presidente da Assembleia Nacional, nesse caso Diosdado Cabello, deve se tornar o presidente interino caso o presidente deixe o cargo até três anos depois de eleito. Chávez foi reeleito em outubro.

Henrique Capriles, governador do estado de Miranda que perdeu as eleições presidenciais para Chávez em outubro, fez um pronunciamento conciliador durante entrevista para televisão logo após a morte de Chávez. "Esse não é o momento para destacar o que nos separa. Essa não é a hora para as diferenças, é um momento de união, é momento de paz". As informações são da Associated Press.