Conselheiro da Petrobras diz que Lava Jato "é remédio amargo"

Mauro Cunha voltou a falar aos parlamentares da defasagem dos preços de combustíveis como uma das responsáveis pela crise financeira da companhia

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28 ABR 201515h12

Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-integrante do Comitê de Auditoria da estatal, Mauro Cunha, disse que concorda com a afirmação da ex-presidente Graça Foster de que a Operação Lava Jato será positiva para a empresa no futuro. "É um remédio amargo, mas sem dúvida fará bem a Petrobras a longo prazo", comentou.

Cunha voltou a falar aos parlamentares da defasagem dos preços de combustíveis como uma das responsáveis pela crise financeira da companhia e disse que foram feitos alertas ao Conselho sobre a política, mas que não houve resultado. "Acabou sendo uma 'pedalada', porque a Petrobras estava subsidiando os preços e isso trouxe prejuízo de R$ 100 bilhões", disse Cunha, que ainda é conselheiro da estatal. Ele também criticou o crédito de R$ 5 bilhões à Eletrobras.

O conselheiro, que votou contra os dois últimos balanços da companhia, repetiu que o reconhecimento contábil dos prejuízos com corrupção, como foi feito, não lhe parece adequado, principalmente porque tem como objetivo ser base para acordo de leniência ou futuro pedido de ressarcimento. "Não é pouco nem é muito, é incerto", declarou.