Conceiçãozinha preocupa deputada Vanessa Damo

Deputada estadual visitou bairros de Guarujá com o vereador Luciano China (PMDB)

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05 ABR 201412h28

Deputada mais jovem da Assembleia Legislativa, Vanessa Damo (PMDB) esteve, na última quinta-feira, na redação do Diário do Litoral, após conhecer de perto alguns bairros problemáticos de Guarujá e visitar a Câmara de Santos. Acompanhada do vereador guarujaense Luciano Lopes da Silva — Luciano China, a parlamentar se indignou com a falta de lazer e infraestrutura do bairro de Conceiçãozinha (Guarujá), que estaria submetendo jovens a situações de risco, por disputarem espaço com navios no canal do Porto de Santos.

“Por não ter como se divertir, os jovens se arriscam se jogando do píer e escalando as cordas dos navios, proporcionando um problema muito grande de segurança não só das crianças, mas para o porto. Foi triste conhecer essa realidade. Depois, também fui conhecer os problemas de Santa Cruz dos Navegantes e, por fim, estive na Câmara de Santos, para conversar com os vereadores”, revelou.

A parlamentar salientou que encaminhou recursos para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Mongaguá. Apesar de ter sua base em Mauá, Vanessa Damo afirma que atua em mais de 400 cidades do Estado. “Fiz emendas para destinar R$ 300 mil para obras de infraestrutura de Itanhaém”.

Apesar do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ter se enganado e divulgado informação errada, ao DL, a deputada não escondeu o desconforto ao saber que para parte dos brasileiros, mulher de roupa curta merece ser atacada. “Mulher tem que ser respeitada em qualquer circunstância. Ela é dona de seu corpo, de seu caminho e tem que ter seus direitos preservados. Jamais pode ser violentada. Infelizmente, essa pesquisa mostra que temos muito ainda que avançar, conscientizar e progredir. O respeito pela mulher tem que ser aprendido desde criança, em casa e na escola”, afirma Vanessa, que preside o PMDB Mulher.

Deputada estadual visitou o Diário do Litoral na última quinta-feira (Foto: Barbara Farias / DL)

Pedofilia

Como sub-relatora da CPI da Pedofilia da Assembleia Legislativa, Vanessa garante que o Estado de São Paulo é o que menos denúncias faz no que diz respeito aos abusos contra as crianças. “Um silêncio que precisa ser quebrado. As pessoas precisam deixar de acreditar que problemas desse nível tem que ser guardados entre quatro paredes. Geralmente, os abusadores são pessoas próximas e até membros da própria família. É preciso denunciar. Precisamos ter mais vozes”.

Delegacias da Mulher

Sobre a precariedade das delegacias da Mulher do Estado, já objeto de reportagem do DL, Vanessa também se mostrou preocupada. “Tenho realizado debates em todo o Estado, coletando informações e principalmente reclamações de mulheres sobre essa questão. A grande reclamação é o estado das delegacias. Não é possível fechar as delegacias nos finais de semana. Isso é um absurdo. Delegacia da Mulher tem que ser aberta 24 horas e o atendimento tem que ser feito por mulheres e não por homens, que servem como fator intimidador”, afirma, ressaltando também a frieza do atendimento para exames de corpo de delito e a falta de delegacias em bairros mais afastados dos centros.

Prostituição infanto-juvenil
 
Outra preocupação de Vanessa Damo é com relação à prostituição infanto-juvenil. A deputada acredita que o erro está na base da educação e na infraestrutura, pois as escolas não oferecem vagas suficientes e ensino de qualidade, que sustentam a personalidade da criança, que acabam vulneráveis a ação de pessoas mal intencionadas. “Elas (crianças) acabam sendo aliciadas por adultos, que aproveitam para ingressá-las nesse horrendo caminho da prostituição. É preciso investir pesado na educação, esportes e na assistência psicológica. Além disso, é preciso um trabalho para evitar o uso de drogas”.
 
Violência obstétrica
 
A parlamentar também ressalta a dificuldade das gestantes em conseguir um parto seguro. “Temos conhecimento de mulheres que ficam peregrinando de hospital em hospital, com dores, à procura de leitos para o parto. Até remédios para amenizar a dor são negados. Além disso, muitas vezes, o corpo clínico não trata a gestante com delicadeza. É preciso usar o 180 e denunciar. Violência obstétrica é crime e tem muitas vítimas dele. Tenho um projeto que visa minimizar essa questão”, salienta.
 
Vanessa Damo ainda é autora do Projeto de Entrega com Hora Marcada, que garante o direito do consumidor ter informação de quando o produto adquirido será entregue em sua residência. “Hoje, as empresas têm que marcar das 7 ao meio-dia e do meiodia às 18 horas. Também há o turno da noite, que vai das 18 às 21 horas. Se não ocorrer, a empresa é penalizada pelo Procon”.