Com gasto de R$4,9 milhões sem licitação, Planalto lança a campanha 'O Brasil não pode parar'

Nesta sexta-feira (27), um grupo de parlamentares revelou que entrarão no STF pedindo a suspensão da campanha

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28 MAR 2020Por Da Reportagem10h18
Governo afirma que a campanha foi realizada por uma agência que foi contratada sem licitação.Foto: Isac Nóbrega/PR/AB

Contrariando recomendações do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial de Saúde), o governo federal divulgou uma campanha chamada “O Brasil não pode parar”, referindo-se ao isolamento social. Nesta sexta-feira (27), um grupo de parlamentares revelou que entrarão no STF pedindo a suspensão da campanha.

No Diário Oficial da União, o governo afirma que a campanha foi realizada por uma agência de publicidade que foi contratada sem licitação, a campanha custou R$ 4,9 milhões. A justificativa é "disseminar informações de interesse público à sociedade, por meio de desenvolvimento de ações de comunicação".

No perfil do governo federal, um texto que diz que "no mundo todo, são raros os casos de vítimas fatais do coronavírus entre jovens e adultos" foi publicado. O texto ainda defende o fim do isolamento e da quarentena. "A quase totalidade dos óbitos se deu com idosos. Portanto, é preciso proteger estas pessoas e todos os integrantes dos grupos de risco, com todo cuidado, carinho e respeito. Para estes, o isolamento. Para todos os demais, distanciamento, atenção redobrada e muita responsabilidade. Vamos, com cuidado e consciência, voltar à normalidade".

O filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro, publicou um vídeo em que aparece a logo do governo federal, entretanto, o vídeo não foi publicado pelo governo. O vídeo retrata o objetivo da campanha. "Para trabalhadores autônomos, o Brasil não pode parar. Para ambulantes, engenheiros, feirantes, arquitetos, pedreiros, advogados, professores particulares e prestadores de serviço em geral, o Brasil não pode parar", são falas do vídeo.

Os parlamentares não apoiam a campanha e entraram em contato com o STF (Supremo Tribunal Federal) para a sua suspensão imediata. O principal argumento dos parlamentares é que a peça contraria especialistas e recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, que pode prejudicar a saúde dos brasileiros.

No Brasil, o coronavírus já infectou mais de 3 mil pessoas e deixou 78 mortas. Dias atrás, Bolsonaro defendeu a suspensão do isolamento no País e a reabertura de escolas, afirmando que a doença é grave para os mais velhos e pessoas com outras doenças crônicas.

No pronunciamento, o presidente minimizou o efeito da doença, chamando o novo coronavírus de “gripezinha” e “resfriadozinho”, chocando a população brasileira.