Com base esfarelada, Alckmin enfrenta voto Bolsodoria em São Paulo

Em Guarulhos, ele tentou mais uma vez fazer frente ao capitão reformado, que lidera as pesquisas de intenção de voto

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20 SET 2018Por Folhapress20h20
Alckmin tenta correr atrás do prejuízo do palanque duplo em seu estadoAlckmin tenta correr atrás do prejuízo do palanque duplo em seu estadoFoto: Reprodução/Facebook

Na reta final da campanha, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) tenta correr atrás do prejuízo do palanque duplo em seu estado, mas o estrago é grande.

Com sua base política esfarelada, o candidato a presidente tucano enfrenta a omissão de aliados, quando não a traição em seu quintal, o voto bolsodoria -para João Doria (PSDB) governador e Jair Bolsonaro (PSL) presidente.

Em caminhada pelo centro de Guarulhos nesta quinta (20), Alckmin tentou mais uma vez fazer frente ao capitão reformado, que lidera as pesquisas de intenção de voto também no estado que o tucano governou quatro vezes.

"O primeiro tiro do candidato da bala foi dado e contra o povo", disparou de cima de um banco em calçadão no centro da cidade. "Já está querendo criar mais um imposto para a população sofrida do Brasil."

O tucano explora a proposta do economista de Jair Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes, de recriar um imposto nos moldes da CPMF.

Foi aplaudido pela claque ao prometer que não iria aumentar imposto nem gerar novas cobranças.

O imbróglio político de Alckmin ficou evidente. Falou da expansão de trens e do Metrô, prometeu parceria entre governos estadual e federal, mas não citou nenhum candidato ao comando do Estado de São Paulo para tal dobradinha.

Segunda maior cidade paulista depois da capital, Guarulhos é administrada por Guti (PSB), afilhado político do governador Márcio França (PSB).

O prefeito foi ao ato tucano. Nem França nem Doria apareceram. O único político de expressão presente era o senador José Serra (PSDB), que estava recluso desde que envolvido na Lava Jato. Com investigações arquivadas, ele voltou ao convívio público.

As campanhas de Alckmin e de Doria monitoram a proliferação de santinhos de candidatos a deputado da coligação tucana que pedem o voto Bolsodoria. Mesmo tucanos que tentam a reeleição apostam na dobradinha heterodoxa como forma de alavancar votos.

O resultado aparece nas pesquisas de intenção de voto. No Datafolha, Alckmin marcou 16% em São Paulo e o capitão reformado do Exército, 27%.

Se Doria oficialmente não atrapalha, como diz sua equipe, tampouco ajuda. O tucano, que tentou se viabilizar para a disputa presidencial, não critica o candidato do PSL e busca o seu eleitorado com o discurso linha dura na segurança, contra corrupção e contra o PT.

O pessoal de Doria identifica empolgação de bolsominions, os entusiastas de Bolsonaro, na internet, toda vez que o tucano ataca o ex-presidente Lula e seu partido.

No debate Folha de S.Paulo, UOL e SBT de quarta, eleitores do candidato do PSL iam ao delírio quando Doria batia no PT, segundo auxiliares.

O tucano fez uma dobradinha com Rodrigo Tavares, do PRTB, de Hamilton Mourão, candidato a vice de Bolsonaro.

Usou pergunta de Tavares sobre segurança para se promover. "Temos uma proposta bastante dura para a segurança pública no estado de São Paulo. Vamos colocar a polícia nas ruas, implementar um novo padrão para a polícia militar e a polícia civil, melhorar as condições salariais dos policiais", prometeu.