Chávez se prepara para voltar à Venezuela em breve

De acordo com o presidente da Bolívia, Evo Morales, Hugo Chávez está se preparando para voltar para casa após mais de um mês internado em Cuba.

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23 JAN 201309h53

O presidente da Venezuela Hugo Chávez está preparando para voltar para casa "fazendo fisioterapia" após ter permanecido em Cuba por mais de um mês para se recuperar de uma cirurgia para retirada de um câncer, afirmou nesta terça-feira (22) o aliado de Chávez e presidente da Bolívia, Evo Morales.

Os comentários do boliviano são o último sinal de esperança de aliados próximos e apoiadores do líder venezuelano de que Chávez possa vencer as complicações seguidas à quarta operação pela qual ele passou após a recuperação de um câncer na região pélvica em junho de 2011.

Desde que partiu de Caracas em 10 de dezembro em direção à Cuba Chávez não foi mais visto em público, o que elevou a possibilidade de o presidente estar em seus dias finais. "Ontem eu falei com Cuba e temos boas notícias", afirmou Morales, um amigo fiel de Chávez e companheiro de oposição contra a influencia dos EUA na América Latina. "O irmão, comandante e presidente Hugo Chávez está agora fazendo fisioterapia para voltar ao seu país", afirmou Morales em La Paz durante um congresso transmitido pela Telesur.

No final do dia, o ministro de Informações da Venezuela, Ernesto Villegas, disse na rede estatal de televisão que embora o progresso na recuperação de Chávez seja encorajador, não existe data marcada para seu retorno.

Chávez está internado em Havana, Cuba, desde o mês passado, quando foi submetido a uma cirúrgia para retirada de um tumor na região pélvica. (Foto: Divulgação)

No ultimo final de semana, o vice-presidente da Venezuela, Nicolas Maduro disse que Chávez entrou em um novo estágio do tratamento e levantou a possibilidade de o presidente voltar a Caracas em breve. Na segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores, Elias Jaua, falando de Cuba em seu Twitter afirmou queChávez está bem e envolvido na política.

Alguns analistas acreditam, entretanto, que Chávez pode apressar seu retorno a Caracas para ajudar a garantir uma transição política mais tranquila para Maduro, escolhido por ele para ocupar seu lugar na liderança do país. Antes de viajar para Cuba, Chávez estimulou os venezuelanos a votarem em Maduro como próximo líder se seu mandato fosse encurtado. A Constituição venezuelana prevê novas eleições para presidente em 30 dias se o líder deixar o poder antes do término de quatro anos de mandato.

Analistas do Barclays Capital disseram nesta terça-feira que o melhor cenário para o governo, que é dominado pelo partido que está no poder, seria o retorno de Chávez para Caracas para assumir o mandato de seis anos, seguido de uma renúncia rápida. A posse original em 10 de janeiro, data marcada pela Constituição, foi adiada pela Suprema Corte do país.

Se Chávez deixar o governo, Maduro poderia ser favorecido em uma eleição subsequente com a vantagem de ser seu escolhido e com a "oposição enfraquecida após duas derrotas sofridas ano passado", afirmou o Barclays. A oposição perdeu as eleições presidenciais em outubro e foi derrotado em dezembro nas eleições para governador em dois dos 27 estados do país.

Nas últimas semanas, as condições de Chávez parecem ter ficado mais críticas. As autoridades do governo disseram que o presidente perdeu muito sangue na cirurgia e enfrenta problemas respiratórios decorrentes de uma infecção durante sua recuperação.

Mesmo se Chávez retornar à Venezuela, especialistas médicos dizem que é pouco provável que ele tenha se curado do câncer completamente. Mesmo que ele tenha afirmado que venceu a doença no passado, ela retornou várias vezes, apesar de várias rodadas de quimioterapia e radioterapia, um sinal que muitos médicos dizem sugerir que a doença pode ser terminal.

Ainda que o governo tenha fornecido atualizações sobre as condições de Chávez, as autoridades não forneceram detalhes sobre seu diagnóstico ou perspectiva médicas. Em entrevista à estação de TV estatal no final da noite de segunda-feira, a presidente da Suprema Corte Luisa Estella Morales reiterou a posição do governo de que Chávez decidiu manter privacidade sobre sua saúde e que nenhuma consulta oficial sobre o assunto será feita. As informações são da Dow Jones.