Chávez continua com problemas de insuficiência respiratória, diz vice

Ele deu a declaração após uma missa pela saúde de Chávez, celebrada em uma nova capela nos arredores do hospital militar onde Chávez está hospitalizado

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02 MAR 201319h27

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está passando por sessões de quimioterapia e "continua sua batalha pela vida", disse, na noite de sexta-feira (1º), o vice-presidente do país, Nicolás Maduro.

Ele deu a declaração após uma missa pela saúde de Chávez, celebrada em uma nova capela nos arredores do hospital militar onde as autoridades dizem que o líder socialista está desde que voltou a Caracas, no último dia 18. Segundo Maduro, Chávez disse que decidiu voltar à Venezuela porque estava entrando em "uma nova fase" de tratamentos "mais fortes e intensos".

"Em meados de janeiro ele estava melhorando, a infecção foi controlada, mas ele continuou com problemas de insuficiência respiratória. Posteriormente, houve uma melhora geral e os médicos decidiram iniciar tratamentos complementares. Vocês sabem o que tratamentos complementares significam, certo? É a quimioterapia que é aplicada aos pacientes após a operação", disse Maduro em um discurso.

O vice-presidente criticou as especulações sobre a piora no estado de saúde de Chávez, afirmando que elas vêm de fora do país, de pessoas que "tentam gerar histeria entre o povo" e desestabilizar o governo. "Nosso comandante ficou doente, e vocês sabem por quê? Porque ele deu tudo, toda sua energia pela pátria e porque negligenciou seu próprio corpo para dá-lo ao nosso povo, para dar seu trabalho, seu amor, sua vida. Essa é a verdade", afirmou o vice-presidente. "Nós pedimos ao nosso povo para manter uma forte unidade. Nós vamos nos transformar em vigilantes anti-rumor. Essa revolução tem muita força", acrescentou.

Chávez, em uma das únicas imagens publicadas desde dezembro do ano passado, quando ele foi hospitalizado em Cuba (Foto: Divulgação)

O genro de Chávez e ministro de Ciência, Jorge Arreza, disse em uma entrevista para a emissora estatal de televisão que o presidente continua "a lutar fortemente pela vida". "Ele está no hospital militar, na maior paz possível, com seus médicos, sua família", afirmou. O governo venezuelano criticou o jornal espanhol ABC, que noticiou que o câncer de Chávez tinha se espalhado para o pulmão e que o presidente tinha sido transferido para uma ilha no Caribe.

As novas informações fornecidas pelo vice-presidente vêm à tona após uma acusação do líder de oposição Henrique Capriles, de que o governo tem repetidamente mentido sobre as condições de saúde de Chávez, de 58 anos. "Vamos ver como eles vão explicar ao país nos próximos dias todas as mentiras que têm contado sobre a situação do presidente", afirmou Capriles, derrotado por Chávez nas eleições de 7 de outubro do ano passado.

Chávez não tem sido visto desde 10 de dezembro, quando foi a Cuba para sua quarta operação contra um câncer, exceto por um conjunto de fotos liberado no dia 15 de fevereiro, enquanto ele ainda estava em Havana. Com isso tem crescido as especulações de que o presidente, que está no poder há 14 anos, pode estar em uma situação pior do que informam as notícias oficiais.

Assessores dizem que Chávez respira por meio de um tubo na traqueia, em função de uma infecção no pulmão após a operação contra o câncer. O tubo o impede de falar, mas segundo membros do gabinete de governo o presidente se comunica por meio de mensagens escritas. O governo nunca identificou o tipo de câncer que afeta Chávez, afirmando apenas que a doença foi descoberta em junho de 2011 na região pélvica.

A oposição diz que Chávez deveria tomar posse para o mandato que ganhou após as eleições realizadas no fim do ano passado ou se declarar incapaz e convocar novas eleições. Segundo a Constituição venezuelana, ele deveria ter tomado posse no dia 10 de janeiro, mas na ocasião ele estava em tratamento em Cuba, e a Suprema Corte do país validou o início do novo mandato.

Mesmo assim, dezenas de apoiadores de Chávez fizeram uma vigília perto do hospital na noite de sexta-feira. "É uma verdadeira bênção nós termos conseguido montar na entrada deste emblemático hospital um espaço onde podemos colocar nosso querido presidente nas mãos de Deus", disse Numa Molina, padre da Igreja de São Francisco. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.