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Política

Céticos com recuo, ministros do STF veem nota de Bolsonaro como resposta a isolamento

Eles afirmam que a postura não vai alterar o rumo de investigações que estão no tribunal e na Justiça Eleitoral

Folhapress

Publicado em 10/09/2021 às 08:59

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Ministros do STF afirmam que a postura não vai alterar o rumo de investigações que estão no tribunal e na Justiça Eleitoral / Divulgação

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) viram com ceticismo a nota divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (9) na qual ele diz não ter tido a intenção de atacar outros Poderes nas manifestações do 7 de Setembro.

Eles afirmam que a postura não vai alterar o rumo de investigações que estão no tribunal e na Justiça Eleitoral.

Integrantes do tribunal avaliam nos bastidores que Bolsonaro mudou de tom por se sentir mais isolado politicamente à medida que cresceu, nos últimos dias, a articulação de partidos de centro e centro-direita a favor do impeachment do presidente.

O texto publicado pelo Palácio do Planalto foi redigido com a ajuda de Michel Temer (MDB), após um encontro do ex-presidente com Bolsonaro. Na ocasião, Temer telefonou para Alexandre de Moraes e colocou Bolsonaro na linha com o ministro. Interlocutores do ex-presidente dizem que ele articulou uma trégua

Na prática, porém, magistrados afirmam que a conversa serve para acalmar o mercado financeiro e amenizar a alta do dólar, mas não muda a disposição de Moraes de seguir em frente com inquéritos que miram aliados e o próprio Bolsonaro por propagação de notícias falsas e ataques às instituições.

Além disso, a negociação para encontrar uma saída para resolver o rombo dos precatórios do governo, que vinha sendo articulada com o STF, deve continuar travada.

Surpresos com o texto de Bolsonaro, ministros do Supremo e do TSE entraram em compasso de espera para ver se o presidente vai "recuar do recuo".

A expectativa é que o presidente mantenha os ataques ao sistema eleitoral, às urnas eletrônicas e continue propagando suspeitas falsas sobre as eleições do ano que vem.

Em discursos diante de milhares de apoiadores na terça-feira (7) em Brasília e São Paulo, Bolsonaro fez ameaças golpistas contra o STF, exortou desobediência a decisões da Justiça e disse que só sairá morto da Presidência da República.

Na terça, em protesto na Esplanada dos Ministérios, Bolsonaro fez uma ameaça direta ao presidente do Supremo, ministro Luiz Fux. "Ou o chefe desse Poder [Fux] enquadra o seu [ministro] ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos", disse, referindo-se às recentes decisões de Moraes contra bolsonaristas.

"Nós todos aqui na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede para sair", disse o presidente, em um caminhão de som no gramado em frente ao Congresso.

"Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos Três Poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil", disse Bolsonaro em outra referência a Moraes.

Nesta quinta, Bolsonaro divulgou uma nota na qual afirma que deu declarações no "calor do momento".

"Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", afirmou o presidente no texto.

Bolsonaro passou os últimos dois meses com seguidos ataques ao STF e xingamentos a alguns de seus ministros como estratégia para convocar seus apoiadores para os atos do 7 de Setembro, quando repetiu as agressões e fez uma série de ameaças à corte e a seus integrantes.

Os principais alvos de Bolsonaro sempre foram os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, esse último também presidente do TSE No 7 de Setembro, porém, buscou também emparedar o presidente do STF, ministro Luiz Fux.

"Essas questões [embates com o STF] devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no artigo 5º da Constituição Federal", disse o presidente em texto assinado por ele.

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