Câmara não investigará ‘mensalinho’

O suposto esquema de corrupção envolvendo seis vereadores da base de sustentação do governo de Farid Madi não será mais investigado pela Câmara Municipal de Guarujá

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05 MAR 201321h38

Em virtude da anulação da sessão do dia 12 de setembro, quando foi criada comissão processante para apurar as supostas irregularidades, todas as denúncias apresentadas naquela data foram retomadas para votação na sessão de ontem. As 10 denúncias foram rejeitadas, ao contrário do que ocorreu no dia 12, quando a denúncia de um munícipe foi acolhida por unanimidade.

Com a liminar concedida pela 3a Vara de Guarujá que determinou o impedimento dos seis vereadores suspeitos de  votarem nas proposituras relacionadas ao ‘mensalinho’, restaram apenas, Válter Suman, Helder Saraiva de Albuquerque, Ituo Sato e Sirana Bosonkian para votar pelo acolhimento ou indeferimento das denúncias. Os dois últimos chegaram a compor a comissão processante instaurada no dia 12. Os trabalhos nunca chegaram a iniciar devido a demora na nomeação das funções de cada membro. As defesas dos envolvidos também não foram entregues à comissão dentro do prazo determinado no Regimento interno da Casa.

Outra denúncia, dessa vez encaminhada pelo Diretório do PT de Guarujá, pedindo a investigação do esquema envolvendo oito e não apenas seis vereadores e a criação de comissão processante também foi derrubada. A proposta obteve dois votos contrários de Ituo Sato e Válter Suman, e dois favoráveis de Luís Carlos Romazzini e Paulo Piansenti. Com o empate, o presidente do Legislativo, Carlos Eduardo Pirani, deu o voto de minerva decidindo pelo arquivamento da denúncia.

Na denúncia do PT local, estavam relacionados Sirana Bosonkian e Helder Saraiva de Albuquerque, além de Mário Lúcio da Conceição, Joaci Cidade Alves, Marcos Evandro Ferreira, Nilson de Oliveira Fontes, Gilson Fidalgo Salgado e Honorato Tardelli Filho. Sirana era presidente da extinta comissão processante.

Pirani justificou o fim das investigações do ‘mensalinho’ na Casa alegando que a Câmara “não tem condições de apurar o caso da mesma forma que o Ministério Público, o Judiciário e a Polícia Civil.

Sato, que era relator da comissão processante instituída no dia 12, endoçou “naquela ocasião o apelo popular era outro. Agora que o caso já está sendo investigado pelo Ministério Público, pela Polícia Civil e pela Justiça, nós vamos apenas acompanhar as apurações”, afirmou Sato complementando que na Câmara os trabalhos seriam mais lentos.

Manobra

Para a oposição, a derrubada de todas as denúncias, impedindo assim a instituição de nova comissão de investigação foi uma manobra política para abafar o caso. “Desde o início não se tinha a intenção de apurar o caso na Câmara.

A única comissão que prevaleceu é a que me investiga”, afirmou Romazzini. A comissão que pode cassar o mandato de Romazzini julgará a entrevista concedida pelo vereador à imprensa sobre os vereadores acusados de participação do ‘mensalinho’. ”O Legislativo não está cumprindo sua função de fiscalizar. Os vereadores estão legislando em favor de seus próprios interesses”, declarou Piasenti.