Após impasse, Márcio Cabeça é o novo prefeito de Mongaguá

O político foi reconduzido ao cargo de vice e assumiu a prefeitura após uma decisão da 5° Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do estado de São Paulo

Comentar
Compartilhar
18 JUL 2018Por Rafaella Martinez18h22
Márcio Cabeça (sem partido) é o novo prefeito de MongaguáMárcio Cabeça (sem partido) é o novo prefeito de MongaguáFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Chegou ao fim às 18 horas de hoje (18) um impasse que se arrastava por mais de 60 dias: Márcio Cabeça é o novo prefeito de Mongaguá. O político foi reconduzido ao cargo de vice e assumiu a prefeitura após uma decisão do juiz Bruno Nascimento Troccoli, da 5° Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

A defesa de Cabeça, representada pelo advogado Douglas Guarnieri, havia recorrido ao TJ após uma liminar da 2ª Vara da cidade indeferir seu pedido de retorno ao cargo de vice-prefeito. Márcio Cabeça foi afastado do cargo por suposto envolvimento na operação Prato Feito, que foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 9 de maio. Na ocasião, a determinação partiu do juiz da 1ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Alessandro Diaferia. Em sua decisão, o magistrado também estendeu a medida cautelar para outros 15 servidores públicos.

Apesar de ter sido publicada na noite da última terça-feira, a decisão do TJ foi recebida pelo Fórum de Mongaguá somente às 13h15 de hoje (18) e o oficial chegou à Prefeitura autorizando a entrada de Márcio às 18 horas.

Em seu primeiro discurso à frente do Executivo Mongaguaense, Cabeça destacou que fará uma auditoria interna nas finanças da Prefeitura.

“Precisamos entender como a máquina pública ficou nesses 70 dias de afastamento onde diversas medidas preocupantes foram tomadas, tais como o inchaço na folha de pagamento e o reajuste desproporcional dos servidores, que claro, merecem melhorias salariais, mas que receberam um valor orçado sem estudo de impacto por pura politicagem”, destacou.

Um carro de som entoando hinos católicos foi posicionado na frente da Prefeitura na chegada de Cabeça, que trajava uma blusa com versículos bíblicos e segurava um terço nas mãos.

“Me apeguei à fé nesses dias e sempre acreditei na justiça, principalmente na divina. Fui acusado por um erro que não cometi, pois como vice não participei de licitações e outros arranjos administrativos. O que todo mundo esquece é que por trás de mim há uma família inteira que foi julgada e sofreu nesse período. Vou provar minha inocência trabalhando pelo povo e pela cidade”, destacou. O novo prefeito se posicionou ainda sobre outros temas.

Impasses

“Pela ganância de poder foram feitas várias manobras políticas para negar meu retorno. Vemos tudo isso de forma triste, pois estamos preocupados com o bem da cidade e queremos fazer o melhor pelo povo nesses próximos dois anos e meio. As decisões do Supremo e do TJ foram claras e específicas e devem ser cumpridas”, destacou.

Auditoria interna

“Vamos apurar tudo o que aconteceu e garantir toda a transparência nesse processo de retorno. Mas é importante salientar que não vamos ficar um mês de braços cruzados apenas checando isso. Um grupo vai analisar enquanto nós vamos colocar a mão na massa e continuar os trabalhos que estão sendo feitos”.
Operação Prato Feito.

“A Polícia Federal foi até minha casa no dia 9 com um mandado de segurança e não encontrou nada, pois não há nada para esconder. Sou a pessoa que mais quer que tudo seja apurado para que a gente possa trabalhar com tranquilidade pelo bem da cidade”.

Grupos protestam contra e a favor de Márcio Cabeça

Enquanto o impasse jurídico não era solucionado, militantes contra e a favor de Márcio Cabeça ocuparam as calçadas ao redor do Paço Municipal. Com faixas e cartazes eles pediram mais rigor na investigação do vice-prefeito, investigado por suposto envolvimento na operação Prato Feito, que foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 9 de maio.

Por outro lado, cerca de 50 pessoas a favor de Márcio Cabeça também ergueram cartazes e entoaram palavras de ordem pelo político. Houve um tumulto momentâneo entre ambos os grupos quando a comitiva do atual prefeito ingressou na prefeitura com a liminar.