Ameaças a colaboradora justificaram prisão de Paulo Preto, diz procuradora

Paulo Vieira de Souza está detido desde a manhã desta sexta-feira (6) no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na capital paulista

Comentar
Compartilhar
06 ABR 2018Por Folhapress13h05
Souza está detido desde a manhã desta sexta-feira (6) no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na capital paulista.Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Ameaças pessoais feitas por Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, a uma ré colaboradora do inquérito em andamento no MPF (Ministério Público Federal) justificaram o pedido de prisão preventiva do ex-diretor de engenharia da Dersa, disse a jornalistas a procuradora Thaméa Danelon, coordenadora da Lava Jato em São Paulo.

Souza está detido desde a manhã desta sexta-feira (6) no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na capital paulista. Segundo Danelon, ele fez três ameaças à colaboradora ao longo de dois anos -o que configura uma tentativa de obstrução de Justiça.

"Se uma testemunha é ameaçada, pode deixar de falar a verdade. Isso comprometeria a busca das provas", afirmou a procuradora, que não revelou o nome de quem reportou as ameaças. Segundo a coordenadora da Lava Jato, a ré participava do esquema de desvios de R$ 7,7 milhões nas obras do Rodoanel.

Segundo a investigação, os valores deveriam ser encaminhados ao realojamento de moradores da região das obras viárias, que aconteceram ao longo do governo José Serra (PSDB-SP).

Além do mandado de prisão, a Procuradoria solicitou a busca e apreensão de equipamentos eletrônicos em endereços de Souza. O material foi recolhido pela Polícia Federal e será utilizado para tentar esclarecer as ameaças reportadas e outros elementos da investigação em andamento.

Souza é suspeito de ser o operador operador do senador José Serra em desvios de recursos do Rodoanel.

Ele comandou a Dersa, empresa pública responsável pela obra, em governos tucanos.

A Procuradoria não fala em delação premiada do ex-diretor. Segundo Danelon, a negociação de um acordo de colaboração com o MPF cabe à defesa de Paulo Preto. "O Ministério Público não pede prisão preventiva esperando delação premiada", afirmou.

OUTRO LADO

Em nota, nesta manhã, a defesa de Souza afirmou que a prisão do ex-diretor da Dersa não está ligada à Lava Jato e faz parte das investigações sobre supostas irregularidades na construção do Rodoanel Sul.

Os advogados Daniel Bialski e José Roberto Santoro dizem que o mandado é uma medida arbitrária, sem fundamentos legais e desnecessária "diante do perfil e da rotina do investigado, sempre à disposição da Justiça".