‘Acesso à informação é restrito’

Aponta o presidente da Câmara de Itanhaém sobre a dificuldade de o eleitor entender o trabalho do vereador

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10 FEV 201312h09

Vereador do PSC, em seu segundo mandato, Rogélio Salceda, de 35 anos, é formado em Administração de Empresas e Técnico em Contabilidade. Ele chegou à presidência da Câmara com apoio até da oposição e promete uma gestão transparente. Entre suas metas, está um projeto de levar os vereadores às escolas do Município para mostrar como é feito o trabalho de um parlamentar.

Diário do Litoral – O senhor está em seu segundo mandato e já chegou à Presidência da Câmara. Como foi este processo?
Rogélio Salceda –
Começamos as discussões com a base do Governo, onde já haviam dois candidatos: o João Rossmann (PMDB) e o Tiago Cervantes (PSB). Articulamos com os vereadores, os procurei e consegui a maioria. Houve uma disputa acirrada, mas para a surpresa de muitos, ganhei a eleição com o apoio da oposição. Eu era o azarão, vinha por fora, havia candidatos mais experientes.

DL – O fato de o senhor ter sido eleito com o apoio da oposição fará com que sua gestão seja mais tranquila?
Salceda – Talvez não seja mais fácil, mas será mais flexível. Teremos transparência e seremos democráticos. Já houve uma demonstração do presidente da Câmara que haverá tratamento igual a todos os vereadores.

DL – Além do fato de alguns vereadores terem se candidatado a outros cargos, a que o senhor atribui um índice de renovação de 60% na Câmara de Itanhaém? Um desejo da população de querer mudar o Legislativo?
Salceda –
Não, não senti isso. A legislatura passada deu resultados positivos. Acredito que uma reeleição é mais difícil do que uma eleição, em uma cidade como Itanhaém, que dispõe de poucos meios de Comunicação. Não há muito acesso à informação, que é restrita. É difícil passar para a população todas as atividades de um vereador, a busca por recursos. Senti muita dificuldade de o eleitor entender o trabalho do legislador. A população acaba pensando que a gente só se apresenta na época de eleição. E isso não é verdade. Itanhaém é uma cidade muito espalhada, com bairros distantes, é difícil estar em todos os lugares.

Salceda acredita que o principal problema de Itanhaém está na Saúde (Foto: Matheus Tagé/ DL)

DL – Foi por ter esse entendimento quanto à divulgação dos trabalhos dos vereadores, que o senhor apresentou os projetos de levar a Câmara para a escola e o da TV Câmara?
Salceda –
Na legislatura passada, como primeiro secretário da Mesa Diretora, implantamos a TV Câmara, mas só pela internet. A gente sabe que o número de acessos é bem interessante. O projeto é simples, mas com resultados. O projeto da TV é audacioso, é um projeto que será um divisor de águas porque será uma TV aberta, onde o munícipe receberá um sinal digital disponível.

DL - O que será mostrado?
Salceda –
A ideia é de total transparência dos trabalhos da Câmara para que os moradores possam acompanhar as sessões, ao vivo, ou por reprise, mas o grande lance será a comunicação não só da Câmara, mas de tudo o que acontece na Cidade, na área esportiva, de eventos. Ela poderá mostrar, por exemplo, um campeonato de futebol da Cidade.

DL – E o projeto da Câmara nas escolas?
Salceda -
A ideia é criar algum mecanismo no qual o vereador fique em contato direto com a população, visitando as salas de aula, explicando o trabalho de um vereador para os jovens. Vamos preparar uma cartilha didática simples para as crianças entenderem, de maneira prática, o trabalho do legislador. E queremos também implantar uma Câmara Mirim para estimular a participação política e conhecer nosso trabalho.

DL – Como está hoje a estrutura da Câmara quanto ao número de funcionários?
Salceda –
Temos um número enxuto: 12 funcionários. Queremos abrir um concurso ainda este ano. Não temos motoristas, telefonistas, se quisermos implantar a TV Câmara, vamos ter de abrir concurso.

DL – A maioria dos vereadores é da base governista. O senhor não acredita que isso interfere na tarefa mais nobre de um parlamento, que é a fiscalização do Executivo?
Salceda -
Como vereador, desde o primeiro mandato, sempre procurei o diálogo, ouvir as partes. Quanto maior a informação, maior é a capacidade de decidir sobre um assunto. Tivemos projetos do prefeito, no ano passado, que não foram aprovados pela base governista. O ex-prefeito (João Carlos Forssell, PSDB) tinha a maioria na Câmara, como o atual (Marco Aurélio Gomes, PSDB) tem. O que queremos é manter o diálogo. Cabe ao vereador melhorar a atuação do prefeito, sempre. Se precisar, vamos votar contra o Executivo.

DL – O prefeito já passou ao senhor se ele tem um projeto prioritário para ser aprovado na Câmara?
Salceda –
Tivemos de realizar sessão extraordinária para criação de cargos na Administração Municipal, que eram necessários para o início do ano letivo. E também discutimos algo com relação à Planta Genérica de Valores, que precisa ser atualizada. É um tema polêmico, que ele vai precisar do apoio da Câmara. Vamos fazer audiências públicas.

DL – Essa atualização vai acarretar em aumento de impostos?
Salceda –
Em algumas áreas sim, e em outras, redução. Há uma desordem em Itanhaém nesse sentido, muito grande. Há casos em que o valor venal de um imóvel está muito abaixo do que realmente tem de ser. E, em outros locais, muito superior do que realmente vale. Acredito que em novembro vamos votar isso. A Câmara vai participar desse processo, destacando profissionais para participar desse estudo.

DL – Qual é hoje, na sua opinião, o principal problema do Município?
Salceda –
Sem dúvida alguma, não só de Itanhaém, está na área da Saúde. Temos o Hospital Regional de Itanhaém, que atende a toda Baixada Santista. Temos uma demanda grande das cidades vizinhas, como Mongaguá e Peruíbe; assim como Santos recebe muita demanda das cidades vizinhas. A Câmara pode ajudar fazendo gestão política para abertura direta do Hospital Regional para emergência ao morador.