“A saúde de Santos é um carro sucateado”

Evaldo Estanislau, vereador de Santos, falou sobre seus projetos para os próximos quatro anos.

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06 JAN 201310h12

Diário do Litoral (DL) – Por que o senhor acredita nisso?

Evaldo Estanislau Affonso de Araujo – Quando a Telma de Souza e o David Capistrano dirigiram a Cidade foi feita a espinha dorsal da saúde de Santos, que foi reconhecida como cidade vanguardista na área. Naquela época, éramos um carro último tipo, com todos os opcionais. Hoje, estamos andando naquele mesmo carro, todo sucateado em função dos anos sem manutenção. As sucessivas administrações não tiveram competência de modernizar o sistema de saúde.

DL – Existe uma área mais preocupante?

Evaldo Estanislau – Os idosos têm mais doenças crônicas-degenerativas, cardiovasculares e cânceres. É preciso uma política de saúde para eles de verdade. O que vimos até agora foi um escândalo, envolvendo uma radioterapia de mentira, sob as barbas de todo mundo, sem que nada fosse feito, até que virou inquérito policial.

DL – Falta tecnologia?

Evaldo Estanislau – Não há. É preciso comprar equipamentos em várias áreas. Transplante de órgãos, hoje, é uma necessidade e Santos não pode ficar à margem disso. Precisamos investir na alta complexidade. Santos não pode ficar à reboque de São Paulo (Capital). Isso é uma vergonha. Nosso sistema de saúde é sucateado, mal organizado, desqualificado e desumano. Nossos índices são vergonhosos. Eu teria vergonha de ter sido secretário de Saúde de Santos nas últimas gestões.

DL – Como vereador, o senhor vai contribuir para mudar isso?

Evaldo Estanislau – Será minha missão. Além de fiscalizar, vou propor projetos que podem reverter várias situações, mesmo sendo de oposição. Não posso ser do grupo do quanto pior, melhor. Quero que a saúde de Santos melhore, não importa que seja o prefeito e sua cor partidária. Temos que tirar a saúde do fundo do poço.

O vereador afirmou que teria vergonha de ter sido secretário de Saúde de Santos nas últimas gestões (Foto: Matheus Tagé/DL)

Quais serão os desafios a partir de 2013?

Evaldo Estanislau – É preciso retomar a governança. É preciso acompanhar a velocidade da iniciativa privada e aliar o desenvolvimento à estrutura urbana. Precisamos encontrar soluções para os problemas de trânsito, de moradia, sociais e da saúde. Precisamos minimizar as dores do crescimento urbano. Precisamos conciliar os interesses privados com a retaguarda do poder público.

DL – Além da saúde, o que em Santos é gritante?

Evaldo Estanislau – A pobreza. Santos possui uma dívida social enorme com a Zona Noroeste. Se eu fosse prefeito, transferiria meu gabinete para lá. Para a classe média, um bom ou mau governo pouco muda a vida. Para a classe menos favorecida, um governo sem um trabalho forte na área social, pode ser a diferença entre a vida e a morte. Não se pode conviver mais com palafitas.

DL – O Túnel da Zona Noroeste seria importante para a região?

Evaldo Estanislau – Não só o túnel, como outros projetos viários são necessários. A gente precisa criar alternativas de transporte.

DL – O que o senhor pensa dos moradores de Santos estarem saindo da cidade em função do custo de vida?

Evaldo Estanislau - O custo de Santos está inviável. Se você vender um imóvel, dificilmente compra outro melhor. Quem mora de aluguel não está conseguindo comprar, senão em São Vicente, Praia Grande e Guarujá. O problema é ainda maior porque não há um transporte único. É preciso também repensar as linhas e itinerários. Talvez veículos menores. Sou a favor da volta dos cobradores.

DL – Quais as ações imediatas do próximo governo?

Evaldo Estanislau – Primeiro qualificar a saúde. Dia primeiro é preciso ter um plano de ação contra a dengue e de atendimento nos prontossocorros. Depois, um amplo projeto de engenharia de tráfego, no sentido de melhorar a fluidez. E em terceiro abrir novo canal de diálogo com os grupos privados que estão se instalando na Cidade.

DL – O senhor disse que irá propor algumas ideias. Resuma?

Evaldo Estanislau – Temos que olhar o entorno e não só para Santos. É preciso uma câmara de políticas de saúde regional. Com ela podemos, por exemplo, pensar em isenção de tarifas para idosos portadores de doenças crônicas, criar redes metropolitanas de assistência para determinadas doenças e um plano de segurança sanitária, baseada no tripé prevenção, vigilância e afetividade.