À rádio, Aécio diz que fala de ministros foi 'patética'

O senador voltou a dizer que as manifestações não foram encabeçadas por nenhum partido político

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16 MAR 201516h59

O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, considerou "patético" o pronunciamento feito pelos ministros da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, Nesse domingo, 16, após os protestos realizados em diferentes cidades brasileiras contra o governo do PT. Ele também criticou o fato de a presidente Dilma Rousseff não ter se dirigido diretamente à população. "A presidente não se dignou a olhar nos olhos dos brasileiros para tentar entender minimamente o que estava acontecendo. Escalou dois ministros que parece que não estavam no Brasil ou não estavam sequer no planeta Terra neste último dia, que não entenderam absolutamente nada", falou em entrevista à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre.

Aécio voltou a dizer que as manifestações não foram encabeçadas por nenhum partido político. Segundo ele, os atos representam o sentimento de insatisfação dos brasileiros - não somente daqueles que votaram no PSDB - com uma série de questões como a corrupção e a precariedade do serviço público. "Quanto mais distante estiver o governo deste sentimento da sociedade brasileira, mais difícil será governar daqui por diante", disse.

De acordo com o tucano, golpe militar é algo inaceitável, mas todas as manifestações que respeitem a democracia são válidas. "O impeachment demanda de dois componentes: um de ordem política que não está longe de ocorrer, expresso por insatisfação generalizada da população brasileira. Já do ponto de vista jurídico, ainda não está colocado. Mas impeachment é uma previsão constitucional. As pessoas do governo acham que falar simplesmente em impeachment não é golpe", afirmou. Aécio ponderou, no entanto, que não torce para o impeachment de Dilma. "Esta não é uma agenda dos partidos de oposição."

Aécio Neves considerou 'patético' o pronunciamento feito pelos ministros Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo  (Foto: Agência Brasil)

Sobre o pacote anticorrupção que, segundo os ministros, será anunciado nos próximos dias, Aécio avaliou que não será suficiente para solucionar o problema e que a presidente deveria primeiramente, optar por colocar pessoas sérias e honradas no governo. "Não é uma lei que vai acabar com a corrupção no Brasil", falou. Ele também disse que Dilma tem a "responsabilidade e a obrigação" de se dirigir aos brasileiros, reconhecer os erros e mudar. "Fazer um mea-culpa é em qualquer situação o primeiro ponto para você mostrar sinceridade na mudança de rumo", disse.

Aécio reconheceu que, se tivesse sido eleito, enfrentaria dificuldades para governar o País, dada a situação da economia. "Mas nós teríamos uma vantagem enorme com relação ao atual governo, porque nós dissemos a verdade durante a campanha eleitoral. Nosso governo seria o governo da previsibilidade", afirmou. "Esse governo vive uma crise de desconfiança que o nosso não viveria."

O presidente do PSDB ainda contou que pretende reunir amanhã em Brasília algumas lideranças do PSDB e de outros partidos de oposição para redefinirem a agenda do Congresso e fazer "uma avaliação serene" sobre o que está acontecendo no cenário nacional.