“A nossa meta é reformar e ampliar todas as unidades de saúde de Guarujá”

Em entrevista exclusiva, secretário Benjamim Lopez fala de mudança radical na saúde

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15 FEV 201323h59

Guarujá tem 296.150 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE. Nesse universo, 80% da população fixa do Município é SUS dependente. E para atender a essa demanda de pacientes a Secretaria de Saúde de Guarujá pretende entregar até o final deste ano a reforma e a ampliação de serviços e de todas as unidades da rede pública de saúde. 
   
Segundo o secretário de Saúde de Guarujá, Benjamin Rodriguez Lopez, em entrevista exclusiva ao DL, a mudança no sistema municipal de saúde visa sanar “os problemas sérios de infra-estrutura na Saúde”.

Benjamin afirmou que foi traçado um plano de ações a ser executado num prazo de um ano. A equipe era encabeçada pelo médico epidemiologista Fábio Caldas de Mesquita que tomou posse no dia 4 de julho e está licenciado por motivos profissionais. Hoje, de acordo com Benjamim, além dos munícipes de Guarujá, a rede pública atende pacientes de Bertioga e São Sebastião.
     
DL - O senhor disse que sua equipe assumiu a Secretaria de Saúde em julho passado com uma proposta de mudança. O que já foi feito no Município desde então?
Benjamin Rodrigues Lopez
- “2007/2008 é o ano da saúde. Nós assumimos em julho com algumas propostas de mudança. As propostas começaram com a inauguração da Policlínica Davi Capistrano ainda no ano passado. Também inauguramos uma unidade do Programa de Saúde da Família (PSF) em Santa Cruz dos Navegantes. E, este ano, a gente coroa este primeiro trimestre com algumas inaugurações ou reformas de vulto.

DL - Na próxima terça-feira, será inaugurada a Unidade de Emergência do Complexo Hospitalar de Vicente de Carvalho. Como será o atendimento?
Benjamin
– Essa unidade de Urgência e Emergência vai funcionar dentro do Pronto Socorro de Vicente de Carvalho. É o primeiro ato concreto para a gente acabar com o Pronto Socorro de Vicente de Carvalho, afim de transformar aquilo num Complexo Hospitalar com Pronto Socorro, Sala de Urgência e Emergência, com capacidade para 20 leitos. Em seguida, a gente prepara a inauguração do Centro de Planejamento Familiar que vai ficar dentro de um hospital que foi construído há dez anos, inaugurado três vezes e nunca utilizado.

DL – O Complexo Hospitalar também abrigará outros serviços voltados à saúde mulher. Que serviços são esses? 
Benjamin
– Depois do Centro de Planejamento Familiar vamos inaugurar uma ala com 25 leitos de cirurgias ginecológicas e no final do primeiro trimestre a gente inaugura a primeira maternidade municipal com capacidade para 25 partos a cada 48 horas. Com isso, a gente faz uma mudança radical na saúde da mulher. Hoje temos índices horrorosos tanto em nível de cesáreas — 50% dos partos —, alto índice de mortalidade materna e fetal e mortalidade por câncer de útero. A decisão política de construir esse hospital de saúde da mulher é mudar essa situação. O projeto é transferir todos os atendimentos na maternidade do Santo Amaro para Vicente de Carvalho. No Santo Amaro são realizados 300 partos por mês, pelo SUS. 

DL – Como vai funcionar a Unidade de Saúde da Mulher no Hospital de Vicente de Carvalho?
Benjamin
– As mulheres menopausadas precisam fazer o preventivo, ultrasom e mamografia. E em qualquer cidade, ela tem uma dificuldade enorme porque tem que ligar, agendar e marcar consulta, depois fazer exames outro dia. Lá não. Na mesma unidade, no mesmo período, ela vai poder agendar os dois exames. Em uma hora ela vai fazer mamografia e ultrasom  e assim terá feito sua atividade anual. Nós queremos entregar a unidade com todos os complexos já funcionando ou pelo menos iniciando os serviços no começo de abril, para que no decorrer desse ano esse hospital seja o melhor da saúde da mulher da Região. Nessa maternidade nós queremos fazer todos os partos de Guarujá do SUS.

DL – Qual é a meta da Secretaria no projeto de planejamento familiar?
Benjamin
– Pretendemos fazer cerca de 300 vasectomias e laqueaduras por mês.

DL – Haverá atendimento ambulatorial no Hospital de Vicente de Carvalho?
Benjamin
– O Complexo não atenderá ambulatório. Eu tenho 22 policlínicas capacitadas para atender 106% da população de Guarujá e que acabam absorvendo pessoas de Bertioga e São Sebastião, principalmente.

DL – Qual o percentual de pessoas de outras cidades atendidas em Guarujá?
Benjamin
– A gente está fazendo esse levantamento, mas no Hospital Santo Amaro, são atendidas de 10% a 30% de pacientes de fora da Cidade.
 
DL – De onde vem os investimentos para a reforma e ampliação do Complexo Hospitalar de Vicente de Carvalho?
Benjamin
– Esse hospital só foi possível porque a gente conseguiu R$ 1,8 milhão em emendas parlamentares das deputadas estaduais Haifa Madi e Maria Lúcia Prandi. A gente também tem a promessa de custeio do Hospital por meio do Governo do Estado. 

DL – Que outros investimentos estão incluídos no plano da Secretaria para este ano?
Benjamin
– Eu reformei três dos quatro prontos-socorros da Cidade, ao mesmo tempo. Vamos entregar a terceira reforma que é a do Pronto Socorro do Perequê. Provavelmente no final de janeiro ou depois do Carnaval devemos inaugurar a Unidade Básica de Saúde do Jardim Bom Esperança. Estamos inaugurando também um CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) em Vicente de Carvalho. A partir do segundo semestre até o final do ano, a gente pretende fazer uma reforma ou adaptação em todas as unidade de saúde de Guarujá. Algumas estão há mais de 15 anos sem intervenções.

DL – Com a ampliação dos serviços haverá contratações de profissionais da saúde?
Benjamim
– Sim. A gente está aumentando as equipes do Programa de Saúde da Família. Hoje trabalhamos com nove equipes e queremos chegar a 14, já no primeiro trimestre, o que vai me fornecer uma capacidade de atender 30% da população, no Programa de Saúde da Família.

DL – Além da ampliação das UBSs e PSFs, outra prioridade era a distribuição do Cartão SUS para toda a população SUS dependente. Como está esse questão?
Benjamin
– Já cadastramos 50% das pessoas, mas a eficácia do cartão SUS se dá com a informatização da Saúde, que é um projeto do Governo Federal. Mas estamos um pouco em compasso de espera com os investimentos até pela indefinição do Governo em virtude da queda da CPMF.
  
DL – O SAMU também está nos planos do Município?
Benjamim
– Pretendemos, em parceria com o Governo Federal, inaugurar o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de urgência). Guarujá está há muitos anos atrasada nisso e começamos a reescrever o projeto. O projeto Está em fase final de aprovação e deve ser enviado à Brasília na segunda quinzena de fevereiro.