Universitários de Santos, liderados por dois centros acadêmicos (CAs) de Direito – Alexandre de Gusmão (Universidade Católica de Santos – UniSantos) e Ariosto Guimarães (Universidade Metropolitana de Santos – Unimes) – iniciaram um abaixo-assinado exigindo mais segurança nas ruas de entorno dos principais campus localizados na extensão da Avenida Conselheiro Nébias.
O documento, que está percorrendo diversas faculdades e obtendo a adesão de alunos de inúmeros cursos, será enviado ao prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), ao presidente da Câmara, vereador Adilson dos Santos Júnior (PTB) e demais vereadores, aos promotores de Justiça de Santos e ao Comando do 6º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI).
O abaixo-assinado informa não ser mais aceitável a convivência diária com crimes e atos de violência cometidos pelos marginais que, segundo os estudantes, se aproveitam da omissão do poder público, para “ameaçar a vida, a integridade física e se apropriar do patrimônio de quem bem entende à hora em que se bem entendem”.
Os estudantes reclamam de roubos e furtos de veículos e de objetos pessoais como celulares e computadores, principalmente no período noturno. As mulheres são os principais alvos dos marginais, que chegam a atacá-las até em pontos de ônibus, na presença de várias pessoas.
Os alunos pedem iniciativas básicas à Administração Municipal, como a instalação de câmeras de monitoramento, podas de árvores, melhorias na iluminação pública e rondas constantes por parte da Polícia Militar e da Guarda Municipal no entorno das instituições.
Pedro Abreu, presidente do CA Ariosto, a ideia começou após uma reunião com a presidente do CA Alexandre de Gusmão, que mostrou apreensão em percorrer, a pé, a distância entre as duas universidades. “Isso ocorreu por volta das 19 horas. Ela reclamou da escuridão do trajeto, da falta de policiais e outros. Resolvemos tomar uma atitude conjunta e recolher assinaturas de alunos de outros cursos, antes que ocorram novas tragédias”, disse, enfatizando violências ocorridas nos últimos anos.
Marcus Santana, da Alexandre de Gusmão, disse que a insatisfação com a segurança também é uma realidade na Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação de Santos (ESAMC), na Universidade Santa Cecília (Unisanta) e Centro Universitário Lusíada (Unilus).
“Essa região concentra a maior parte das universidades e, por outro lado, tem muito assalto por conta da falta de policiamento. Roubam celulares, computadores com material de semestres de estudos e nada é feito. Já cobramos, em 2014, uma iniciativa de segurança à Prefeitura, que disse que tinha projeto, mas faltava dinheiro para implantá-lo”, revela Santana, alertando que uma moça foi roubada no ponto de ônibus, em sua frente. “O marginal saiu calmamente do local, pois tem a certeza da falta de policiamento”, completa.
Sabrina Lopez, também do Centro, faz o caminho UniSantos/Unimes quase que diariamente e “não me sinto confortável. Às vezes, prefiro esperar para pegar um ônibus que para em frente à faculdade do que andar três quadras no escuro, me sentindo totalmente mal”, afirma a universitária.
Os estudantes enfatizam que não há medidas preventivas na região e, caso ninguém tome providências, uma outra iniciativa, além do abaixo-assinado, está sendo avaliada, como, por exemplo, uma grande passeata estudantil. “O problema comum a todos os estudantes já é o ponto crucial para qualquer movimento neste sentido. Estamos tentando sensibilizar as autoridades antes de tudo”, finaliza Marcus Santana.
Autoridades se manifestam
Procurado, o comandante do 6º BPMI emitiu nota esclarecendo que o policiamento no entorno das universidades é realizado diuturnamente por rádio patrulhas, com apoio da ronda escolar e do policiamento com motocicletas. Afirma que as ações policiais são realizadas frequentemente para a prevenção de furtos de veículos, e intensificadas e no horário de entrada e saída de alunos, para prevenir os crimes de roubo e furto aos alunos, contudo ressalta que é essencial que a população tome as medidas primárias de segurança para prevenir e dificultar a ação de criminosos.
O Comando lembra da importância de se registrar as ocorrências para subsidiar a distribuição do policiamento e das ações de polícia na nossa cidade, e aproveita para convidar todos a participarem das reuniões de Consegs (Conselhos Comunitários de Segurança) onde são discutidos os assuntos relativos a segurança de cada bairro, e também onde as críticas construtivas e as sugestões são bem vindas. A população pode contribuir denunciando e fornecendo informações por meio do telefone 190 ou do Disque Denúncia (181).
Secretaria. Por sua vez, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo informa que a Polícia Militar irá reorientar o policiamento já realizado na região com base nas informações passadas pela reportagem. Revela que o trabalho conjunto das polícias resultou na prisão de 851 pessoas e na recuperação de 237 veículos em Santos de janeiro a julho”, finaliza nota.
Prefeitura
A Secretaria de Segurança (Seseg) da Prefeitura informa que haverá uma reunião, dia 31 de agosto, com os representantes estudantis para tratar do assunto. De qualquer forma, a Seseg já acionou a Guarda Municipal para aumentar a ronda em torno das universidades citadas, em apoio a Policia Militar.
Em relação à implantação de câmeras, foi proposto um projeto no ano passado, para que as universidades de Santos instalassem câmeras aos arredores para que fosse feita a interligação ao sistema de monitoramento da Prefeitura, a fim de inibir a ação de criminosos.
A Prefeitura garante que técnicos da Coordenadoria de Paisagismo (Copaisa) irão à região para avaliar e incluir o serviço na programação. Os munícipes que quiserem solicitar poda ou vistoria devem fazer o pedido na Ouvidoria, Transparência e Controle (0800-112056). No caso de remoção ou corte de raiz, deve-se fazer a solicitação pessoalmente, no Poupatempo.
A Secretaria de Serviços Públicos já executou a substituição das luminárias de vapor de sódio (amarelas) da Avenida Conselheiro Nébias, por outras de vapor metálico (brancas) de 400W. Sobre as ruas do entorno das universidades, a equipe de iluminação fará uma averiguação para verificar se há existência de lâmpadas queimadas ou danificadas.
