Sindicato de delegados elogia Tarcísio após série de críticas

Sindpesp é um crítico constante do Governo de SP pelo que aponta como defasagem de agentes e de baixos salários; Tarcísio nomeou novos agentes

Unidade da Polícia Civil do estado de São Paulo

Unidade da Polícia Civil do estado de São Paulo | Polícia Civil/Divulgação

O Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) elogiou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) após a posse de 4.017 novos policiais civis nesta sexta-feira, na capital paulista.

Ao todo, são 353 novos delegados, 2.208 escrivães, 1.260 investigadores e 196 médicos-legistas nomeados de concursos que tiveram início em 2022. O grupo considerou uma grande conquista para a instituição.

“O Sindicato, dessa forma, parabeniza e enaltece a iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, ressaltando que, com o ingresso dos novos policiais civis, haverá expressiva redução da sobrecarga de trabalho que os profissionais da ativa enfrentam no dia a dia e, sem dúvida alguma, grande ganho para a população”, escreveu Jacqueline Valadares, presidente do Sindpesp, que assinou a nota.

Críticas

O sindicato é um crítico constante do Governo de São Paulo pelo que aponta como defasagem de agentes e de baixos salários em comparação a outras unidades da federação.

Segundo o Sindpesp, desde 2013, dos 41.912 cargos destinados à instituição em todo o Estado, 17.234 estavam vagos, o que representaria 40% da força policial.

“Com a entrada dos novos policiais civis e o compromisso firmado pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), durante a cerimônia de posse – de que até o final deste ano, mais 3,5 mil serão nomeados -, emerge excelente expectativa de recomposição breve dos quadros de pessoal da Polícia Civil de São Paulo”, escreveu ainda a instituição.

Protesto em abril

O Sindpesp protestou contra a exclusão da Polícia Civil na operação Fim da Linha, deflagrada contra empresas suspeitas de ligação com o crime organizado no Estado. A indignação se estendeu a uma declaração do secretário da Segurança Pública paulista, Guilherme Derrite, de que “a Polícia Militar vai assumir o protagonismo do combate ao crime organizado”.

Segundo análise de autoridades e de especialistas da área, a decisão representa usurpação de funções da Polícia Civil, o que pode comprometer, inclusive, a segurança da população. O Sindpesp defendeu o trabalho integrado entre as instituições.

“As forças de segurança precisam trabalhar em sintonia, harmonia e sinergia no estado de São Paulo. À Polícia Civil cabe o papel de investigar e de promover operações. À PM cabe o trabalho nas ruas, de patrulhamento ostensivo e preventivo. Quando o Estado passa a transferir atribuições da Civil para a Militar, a própria PM fica sem fazer o que, prioritariamente, é de sua alçada”, disse a delegada Jacqueline Valadares, presidente do Sindpesp.

Com a repercussão negativa entre agentes, a gestão Tarcísio recuou e pediu um estudo, com prazo de 45 dias, sobre o tema.