Relatório do Sindicato dos Delegados aponta dificuldades enfrentadas pelos policiais

Sindpesp visitou delegacias de todo o Estado e encontrou realidade caótica

Delegacias e viaturas abandonadas, distritos funcionando sem delegados e com a população atendida por estagiários cedidos pelos municípios no lugar de policiais civis. Essa é apenas uma amostra da real situação enfrentada pelos cidadãos que buscam socorro da Polícia Civil no interior paulista. Amanhã, o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) e outras 12 entidades representativas das carreiras policiais entregarão um ofício ao Governo do Estado solicitando diálogo sobre os problemas da instituição.

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No final de 2021, o Sindpesp visitou distritos em todo o interior do estado, para ouvir dos policiais os principais problemas enfrentados no trabalho diário.

A situação encontrada em algumas regiões é caótica. Delegacias interditadas e desocupadas, viaturas abandonadas no meio da rua e distritos que só estão abertos porque as prefeituras cederam estagiários para atuar no lugar que deveria ser ocupado por policiais concursados.

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“O déficit de pessoal da Polícia Civil de São Paulo supera 15 mil policiais. O resultado é que delegacias não tem policiais para funcionar e estão abertas com estagiários das prefeituras, situação precária e que coloca em risco a segurança da população”, explica a presidente do Sindpesp, Raquel Gallinati.

Outro efeito da falta de policiais é que delegacias de 300 municípios do interior paulista funcionam sem um delegado e são atendidas por profissionais de cidades vizinhas.

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Salários baixos afastam talentos

A queixa mais frequente é o salário pago aos policiais. Os delegados paulistas recebem os piores salários do Brasil, quando comparados aos profissionais dos outros estados. Investigadores e escrivães também estão entre as piores remunerações.

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“Além do pagamento não ser condizente com as dificuldades e os riscos da carreira policial, o baixo salário afasta os aprovados em concursos, que preferem assumir vagas em outros estados, onde o salário chega a ser mais que o dobro do pago em São Paulo”, exemplifica Raquel.

Em janeiro, o Estado chamou 391 aprovados em concurso para tomar posse em seus cargos. Dos nomeados, 44% não compareceram para a posse em seus cargos.

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Ofício

Amanhã, o Sindpesp vai protocolar no Palácio do Governo do Estado um ofício solicitando a abertura de negociações para tratar dos principais problemas da Polícia Civil paulista.

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Além dos delegados, outras 12 entidades representativas das carreiras policiais também assinam o documento.

“Estamos unidos para mostrar a realidade ao governador e solicitar diálogo para solucionar questões como a falta de estrutura e a necessidade de um plano de carreira que atenda as necessidades dos policiais”, completa Raquel Gallinati.