Polícia

Reconhecimento facial leva à prisão de quatro foragidos em estádios de São Paulo

O sistema do programa Muralha Paulista identifica procurados durante partidas na Vila Belmiro e no Allianz Parque

Giovanna Camiotto

Publicado em 16/03/2026 às 14:00

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Três homens com mandados de prisão em aberto foram detidos / Divulgação/Polícia Civil

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Três homens com mandados de prisão em aberto foram detidos neste domingo (15) durante a partida entre Santos Futebol Clube e Sport Club Corinthians Paulista, na Vila Belmiro, após serem identificados por um sistema de reconhecimento facial ligado ao programa Muralha Paulista.

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A tecnologia começou a operar no estádio santista no mesmo dia da partida, válida pelo Campeonato Brasileiro Série A. As imagens captadas nas catracas foram cruzadas com dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão.

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Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, dois dos detidos tinham mandados por não pagamento de pensão alimentícia. O terceiro era procurado por roubos cometidos nos estados do Paraná e do Mato Grosso do Sul.

No mesmo fim de semana, outro homem foi preso no Allianz Parque, também por descumprimento de obrigação de pensão alimentícia.

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O sistema integra imagens de reconhecimento facial e bancos de dados judiciais para identificar pessoas com pendências legais. Caso seja detectada alguma irregularidade, como mandado de prisão em aberto, uso de documentos falsos ou descumprimento de medidas judiciais, o acesso ao estádio é bloqueado e a Polícia Militar do Estado de São Paulo realiza a abordagem.

A parceria entre o governo estadual e o clube santista também permite identificar ingressos adquiridos por cambistas ou utilizados por terceiros, além de monitorar eventuais sanções previstas no Estatuto do Torcedor. O sistema ainda pode ajudar na localização de pessoas desaparecidas.

"O Muralha Paulista integra inteligência e tecnologia para garantir segurança em grandes eventos. Hoje conseguimos identificar foragidos e monitorar riscos em tempo real", afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.

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Mais de 2 milhões monitorados

Desde que o programa passou a operar em arenas esportivas do estado, mais de 2,1 milhões de pessoas foram monitoradas em 105 partidas. No período, 282 foragidos da Justiça foram capturados e 130 casos de descumprimento de medidas cautelares foram registrados.

O monitoramento começa ainda no momento da compra do ingresso, segundo a Secretaria da Segurança Pública. "Pelo sistema já é possível identificar se o comprador possui alguma pendência judicial", afirma o major Anderson Rodrigo da Silva, coordenador de Gestão da Informação da pasta.

De acordo com ele, a tecnologia ajuda a reduzir a circulação de pessoas procuradas pela Justiça em eventos de grande público. A Vila Belmiro passa a integrar a lista de arenas que já utilizam o sistema, que inclui o Allianz Parque, a Neo Química Arena, a Arena Barueri e o Estádio José Maria de Campos Maia.

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Na última quarta-feira (11), por exemplo, oito homens foram presos ao tentar entrar na arena do Corinthians após serem reconhecidos pelo sistema. Eles eram procurados por crimes como roubo, violência doméstica e não pagamento de pensão alimentícia.

A tecnologia também já levou à captura de suspeitos procurados em outros estados. Em 2024, um integrante de uma facção criminosa da Bahia foi detido ao tentar assistir à partida entre Sociedade Esportiva Palmeiras e Esporte Clube Bahia em São Paulo. A prisão foi realizada pelo 2º Batalhão de Choque.

Expansão do sistema

A Secretaria da Segurança Pública avalia ampliar o uso da tecnologia para outros tipos de eventos. O reconhecimento facial já foi empregado em grandes encontros de público, como o festival Tomorrowland Brasil e o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.

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Impacto na Baixada Santista

Segundo dados da pasta, o programa ajudou a aumentar em 27% o número de capturas de foragidos na região da Baixada Santista desde outubro do ano passado. Naquele mês foram registradas 337 prisões ou apreensões, a segunda maior marca em 25 anos. Em janeiro deste ano, o número chegou a 429 detenções.

Nos nove municípios da região Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente estão instalados cerca de 1,8 mil equipamentos de monitoramento, entre câmeras e sensores.

O programa reúne leitores de placas de veículos, dispositivos de reconhecimento facial e sistemas de monitoramento em tempo real. As imagens captadas são cruzadas com bases de dados policiais e judiciais para identificar automaticamente foragidos, veículos roubados ou pessoas desaparecidas.

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Segundo o governo estadual, a iniciativa busca restringir rotas de fuga, reduzir a mobilidade de criminosos e ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança.

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