O pai do rapaz que foi morto em 2012 por causa de uma dívida de R$ 7 quer que o garçom envolvido no crime, e que está sendo submetido a júri popular nesta quarta-feira (28), em Guarujá, seja condenado e pegue a pena máxima à qual ele possa ser imputado. Mário dos Santos Sampaio tinha 22 anos na época do crime e estava na região passando as férias com os amigos quando o crime ocorreu.
O garçom que está sendo julgado nesta quarta-feira é Robinson de Jesus Lima, de 50 anos. Ele é apontado como a pessoa responsável por entregar a arma usada no assassinato, uma faca de cozinha, a José Adão Pereira Passos, de 61 anos, e o filho dele, Diego Souza Passos, de 29. Ambos eram os donos do estabelecimento comercial onde o crime ocorreu.
Em conversa com a redação do Diário do Litoral por telefone, Renato Camargo, que é pai da vítima, afirma que acredita ser difícil crer na condenação do garçom, mas deseja que ele pegue a pena máxima caso o júri popular o declare culpado.
“Quero que ele fique preso o máximo de tempo possível, que pegue a pena máxima porque ele é tão responsável, se é que não é mais culpado, quanto os donos do restaurante que mataram meu filho. Ele trouxe a faca pra eles, se não fosse por isso, talvez meu filho estivesse vivo ainda”, explica.
Nenhum membro da família deverá depor durante os próximos dias e Renato afirma que apenas testemunhas e os colegas de Mário, que estavam com ele no dia do homicídio, vão prestar depoimento perante o juiz e os jurados. A previsão inicial seria que o julgamento terminasse até esta quinta-feira (29), mas existe a possibilidade que todo o processo se encerre apenas na sexta-feira (30).
“Sete anos é uma demora longa demais”, conclui.
CRIME.
Mário dos Santos Sampaio foi assassinado no dia 31 de dezembro de 2012. Original de Campinas, ele passava as férias em Guarujá com a namorada e alguns amigos e deveriam passar o Réveillon no litoral paulista. Durante o começo da tarde, o grupo decidiu almoçar em um restaurante chamado Casa Grande que ficava no bairro Enseada.
O desentendimento que levou ao homicídio ocorreu no momento em que Mário e seus colegas decidiram pagar a conta. À época, as autoridades afirmaram que o estudante não quis pagar a conta, que teria ficado no valor de R$ 19,99, porque, segundo ele, o valor divulgado pelo estabelecimento comercial era de R$ 12,99.
Na sequência, o dono do restaurante, identificado como José Adão Pereira Passos, de 61 anos, discutiu com Mário e teria dito que o aguardaria do lado de fora do imóvel para brigar. Percebendo que a situação estava se agravando, a vítima acionou a Polícia Militar, mas foi surpreendida pela ação de Diego Souza Passos, de 29 anos, que é filho do dono e de outros funcionários que decidiram tirar o cliente à força do local.
Já do lado de fora, José Adão pegou uma faca que foi trazida pelo garçom Robinson de Jesus Lima e golpeou Mário nas costas ao menos três vezes. Os amigos da vítima acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas o jovem morreu poucos minutos após o ataque ter ocorrido.
Acusados pelo crime, pai e filho foram presos logo na primeira semana de 2013 e foram condenados em outubro de 2015. José Adão pegou uma pena de 20 anos de prisão e Diego foi condenado a 17 anos em regime fechado. O advogado do garçom Robinson de Jesus conseguiu separá-lo do processo que julgou pai e filho e devido a isso, ele permaneceu em liberdade até ser submetido a júri popular em agosto de 2019.
