Pornografia infantil: idoso de 77 anos e jovem de 25 são presos na Black Dolphin na Baixada

O nome da operação foi dado devido ao fato do provável chefe da quadrilha dizer que no Brasil não havia prisão para segurá-los e que só poderia ser preso na russa Black Dolphin

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25 NOV 2020Por Gilmar Alves Jr.20h20
Peritos agiram juntamente com os investigadores nas diligências de campoFoto: Divulgação/Polícia Civil

*Com informações também da Folhapress

A operação Black Dolphin, deflagrada nacionalmente pela Polícia Federal (PF) e pela Polícia Civil contra tráfico e exploração sexual de crianças e adolescentes na internet, teve duas prisões na Baixada Santista nesta quarta-feira (25): um idoso de 77 anos, autuado em flagrante pelo armazenamento das imagens em Santos, e um jovem de 25, autuado pelo mesmo crime em Praia Grande.

Nas cidades de Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande, houve no total 15 mandados de busca e apreensão. As prisões em flagrante foram resultado destas ações. No total foram apreendidos quatro computadores, 15 notebooks, 25 hd´s externos, 38 pen drives, 31 cartões de memória, duas câmeras fotográficas, 111 CD´s e 42 objetos eletrônicos diversos.

Ao anunciar os resultados em entrevista coletiva no Palácio da Polícia, o delegado seccional de Santos, Carlos Schneider, disse que o perfil inicial dos investigados na Região é de pessoas do sexo masculino, de idades variadas, que moram, na maioria das vezes, sozinhas.

“Todos eles fizeram parte de uma rede em que houve essa divulgação, receptação e transmissão de dados com imagens e filmagens, vídeos de cunho pornográfico envolvendo crianças e adolescentes. Todos eles tiveram contato em algum momento com toda essa rede de transmissão”, afirmou Schneider.

Em todo o país, mais de 1.100 agentes atuaram na operação, que fez buscas em 85 cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A investigação teve início em 2018, quando a Polícia Civil de São Paulo prendeu um homem que pretendia vender a sobrinha para criminosos russos. Ele planejava levar a menina à Disney e alegar que ela teria desaparecido no parque. A partir desse caso a polícia iniciou investigação de uma organização criminosa, que atua na deep web, e produz, vende e compartilha imagens de abuso sexual infantil.

Os agentes fizeram infiltrações em mais de 20 comunidades da deep web e encontraram mais de 10.000 contas de e-mails atuando nas ações criminosas.

Em 2019, a polícia localizou o usuário que consideram ser o provável chefe da organização criminosa. Nas conversas interceptadas, ele dizia que estavam "protegidos pelo anonimato" e que as "leis brasileiras são ridículas". O criminoso disse ainda que não havia prisão no Brasil para segurá-los.

O usuário dizia ainda que só poderiam ser detidos na "Black Dolphin", prisão russa na fronteira com o Cazaquistão.

Neste ano, o homem que usava esse usuário na internet foi identificado pela polícia. O local onde ele mora não foi informado, apenas que ele tem residência no Brasil.

O delegado seccional, Carlos Schneider, e o diretor do Núcleo de Perícias Criminalísticas, Antônio Alvares Monteiro (Divulgação/Polícia Civil)

Perícias

Na entrevista coletiva em Santos, o diretor do Núcleo de Perícias Criminalísticas (NPC) da Região, Antônio Alvares Monteiro, comentou o trabalho dos peritos, que agiram em conjunto com os investigadores. “Foram arrecadados materiais de informática, vários de armazenamento de dados, de fotos e dois resultados já em flagrante. O restante já foi encaminhado ao IC para os exames de análise forense. Todos eles passarão por perícia individualizada, cada um desses equipamentos, com o nosso software voltado para essa busca de pedofilia e resultará em outros laudos periciais que subsidiarão a continuidade dos inquéritos policiais”, disse.

O delegado Schneider frisou que a polícia detém os meios de responsabilizar quaisquer criminosos que agem na internet, tendo em vistas que cada ato no ambiente virtual deixa rastro. “A única solução para aquele que insiste em trilhar o caminho do crime é evitar cometê-lo. Porque a gente vai encontrar mais cedo ou mais tarde. Uma hora a gente vai estar acordando ele de manhãzinha, chegando na casa dele, com uma equipe da perícia, com uma equipe de policiais civis. Então a gente vai apurar e fazer o que tem que ser feito”, afirmou na coletiva.