Polícia impede invasão de prédio por sem-teto no Centro de São Paulo

Policiais jogaram várias bombas de gás lacrimogêneo e entraram no imóvel para retirar homens e mulheres que tentavam se instalar nos apartamentos

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16 OUT 2017Por Folhapress14h30
A Polícia Militar impediu a ocupação de um prédio na avenida São JoãoFoto: Divulgação/Alesp

A Polícia Militar impediu na madrugada desta segunda-feira (16) a ocupação de um prédio na avenida São João, centro de São Paulo, por um grupo formado por cerca de 200 sem-teto. Os policiais jogaram várias bombas de gás lacrimogêneo e entraram no imóvel para retirar homens, mulheres e crianças que tentavam se instalar nos apartamentos.

Houve resistência e, enquanto os policiais entravam no prédio, um grupo de sem-teto protestava na avenida. Durante a madrugada, policiais negociaram com lideranças do grupo e as pessoas que já estavam no imóvel saíram. As lideranças do grupo informaram que iriam registrar boletim de ocorrência por causa de agressões sofridas.

A ocupação faz parte do Outubro Vermelho, jornada em que ativistas pelo direito à moradia em São Paulo se mobilizam para defender o cumprimento da função social das propriedades. As manifestações e invasões de imóveis são organizadas pela FLM (Frente de Luta pela Moradia).

Segundo a FLM, no final de semana foram ocupados também um prédio na rua João Bricola, centro de São Paulo, onde funcionava a antiga Casa da Moeda; um terreno no Jardim Três Marias, na zona leste; um galpão no bairro Armênia; e uma antiga fábrica de costuras no Bom Retiro.

Na avenida São João, o prédio que o grupo tentou invadir fica no número 601 e já foi alvo de outras tentativas de ocupações. Em 2014, uma onda de pânico e depredações tomou conta de parte do centro de São Paulo após confronto entre sem-teto e policiais durante reintegração de posse determinada pela Justiça. Desde então o prédio permaneceu vazio.

Conhecido como "espigão", o imóvel alvo da disputa foi construído para funcionar como hotel, o que nunca aconteceu. Possui 21 andares e 240 apartamentos prontos.

Na região, outros antigos hotéis são utilizados como locais de moradias de famílias sem-teto. Um deles fica bem em frente ao 601 e abriga várias famílias cujos integrantes trabalham ou estudam nas proximidades.

"Os sem-teto organizados entendem que não é possível se calar diante de tantos retrocessos e de tantas perdas de direitos. No caso da moradia, o governo federal apresentou uma proposta orçamentária que zera os recursos destinados à moradia digna", diz manifesto divulgado pelo grupo que organizou as invasões.

"Resolvemos guiar nosso destino pelas nossas mãos e pela nossa inteligência. Vamos aqui organizar nossa vida e fazer nossas casas".