Polícia de SP diz ter achado rifa e recado do PCC em endereços de empresa de ônibus

De acordo com a polícia, isso reforça a ligação dos sócios da empresa com o PCC, já que apenas integrantes do grupo têm acesso a esse tipo de material

Quadrilhas e transportadoras

Quadrilhas e transportadoras | Reprodução

A operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo em endereços ligados à empresa de ônibus Transunião na semana passada encontrou uma rifa criada por integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), uma antiga modalidade usada pelo grupo para arrecadar recursos.

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Os investigadores também dizem ter achado um “salve”, como são chamados os recados enviados pela cúpula da facção.

De acordo com a polícia, isso reforça a ligação dos sócios da empresa com o PCC, já que apenas integrantes do grupo têm acesso a esse tipo de material.

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“Aquilo não era lugar para ter rifa do partido [PCC], não é mesmo? Para você ver como eles [criminosos do PCC] estão enfiados em todos os lugares [da empresa]”, afirma o diretor do Deic (departamento especializado no combate ao crime organizado), Fábio Pinheiro Lopes.

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De acordo com a polícia, a rifa foi encontrada em uma das garagens da Transunião durante a operação da última quinta (9) que investiga o suposto envolvimento do crime organizado no transporte público da capital paulista.

As rifas eram de um valor baixo –entre R$ 8 e R$ 10– e a arrecadação seria destinada para a compra de 2.000 cestas básicas. Já o “salve” foi encontrado na casa de um dos investigados. O nome do suspeito e o conteúdo da mensagem não foram divulgados.

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O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, disse que as rifas do PCC surgiram nos anos 2000 para reforçar as chamadas “cebolas”, uma espécie de mensalidade que os integrantes da facção tinham que pagar.

“Devido ao aumento da arrecadação com o tráfico, eles aboliram as rifas e a cebola, que não existem mais aqui em São Paulo. Eram 40 mil números a R$ 20 ou R$ 30, que sorteavam a cada dois meses”, afirmou.

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A polícia começou a investigar o suposto elo entre o PCC e a Transunião depois do assassinato do do ex-presidente da empresa Adauto Soares Jorge em março de 2020.

Na quinta, a polícia prendeu dois suspeitos de terem participado do crime: Um deles é Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, que era motorista da Transunião e depois diretor da empresa.

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O outro é Devanil Souza Nascimento, o “Sapo”, que, segundo os investigadores, era motorista do vereador Senival Moura (PT). O parlamentar é apontado como um dos suspeitos de participação no crime e teve a prisão solicitada pela polícia. A Justiça negou o pedido.

De acordo com as investigações, Nascimento levou a vítima até uma padaria, onde ela foi morta por Freitas. Ainda conforme os policiais, o motorista assistiu de dentro de um carro o ex-presidente ser morto, mas sem esboçar qualquer reação. Seu único ato antes de fugir teria sido ligar para o vereador.

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Conforme a polícia, na semana passada representantes da cúpula da Prefeitura de São Paulo se reuniram com agentes do Deic para debater o assunto.

Uma das medidas discutidas foi solicitar à Justiça a nomeação de um interventor na Transunião para assumir a administração da empresa. Segundo os policiais, entre 30% e 40% da frota pertence a integrantes do PCC.

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A reportagem não conseguiu contato com representantes da empresa, nem com os advogados dos suspeitos presos.

O vereador Senival Moura disse, por meio de sua assessoria, que Nascimento “não é e nunca foi motorista” dele. Era, ainda segundo ele, funcionário da empresa Transunião e “era amigo em comum do vereador Senival e do Adauto”.

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“Devanil ligou sim para o vereador Senival Moura para informar sobre o lamentável ocorrido com o Adauto. Detalhe: No local que ocorreu o crime, era de um estacionamento de padaria onde o vereador Senival, Devanil e Adauto sempre tomavam café e eventualmente almoçavam”, diz a nota.

Na semana passada, ele também negou participação na empresa de ônibus e, também, na morte do ex-presidente. Disse ainda que foi surpreendido pela operação policial, mas que estava à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários.