PMs são presos sob a suspeita de estuprar mulher dentro de viatura em Praia Grande

Segundo a investigação, o crime ocorreu no último dia 12 quando a vítima procurou os policiais, próximos a um shopping da cidade, para pedir uma informação

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27 JUN 2019Por Folhapress17h50
A dupla está no presídio especial Romão Gomes, na zona norte da capital, desde o último dia 19Foto: Reprodução

Dois policiais militares de São Paulo foram presos sob a suspeita de terem estuprado uma moça de 19 anos, dentro de uma viatura, ambos fardados e em serviço, em Praia Grande (litoral paulista), no último dia 12.

A dupla está no presídio especial Romão Gomes, na zona norte da capital, desde o último dia 19, após a Justiça decretar a prisão preventiva (sem prazo determinado), a pedido da Polícia Militar.

A Corregedoria da Polícia Militar solicitou a prisão após encontrar inconsistência na versão apresentada pelos soldados e, ainda, receber o resultado do exame do IML (Instituto Médico Legal) que reforça as suspeitas de violência sexual.

"É lamentável que o episódio dessa natureza tenha sido promovido por policiais militares, fardados e de serviço", diz trecho do pedido de prisão assinado pela capitão Larissa Helena Adão, presidente do Inquérito Policial Militar.

De acordo com a investigação, o possível crime ocorreu por volta das 23h30 do dia 12 quando a vítima procurou os policiais militares, próximos a um shopping de Praia Grande, para pedir uma informação. Ela precisava de orientação para pegar um ônibus para voltar à vizinha São Vicente, também no litoral, cidade onde mora com a família.

Conforme a jovem relatou à Ouvidoria da Polícia, que acompanha o caso, assim que pediu ajuda, um dos PMs passou a perguntar se ela era casada, se era maior de idade, e "na sequencia chamou seu colega de canto e os dois conversaram por uns minutos e, quando voltaram, ofereceram carona".

"Perguntaram se era menor de idade porque, mesmo com 19 anos, parece ter uns 15, de tão pequena e magrinha", disse o ouvidor Benedito Mariano, que ouviu a garota por três horas na última segunda (24).

A vítima aceitou a corona, mas, ao entrar no banco de trás do carro, um dos PMs sentou-se ao lado e imediatamente começou a assediá-la sexualmente.

O policial teria obrigado a vítima a fazer sexo oral nele, usando a força, e na sequência, teria chegado ao ato sexual usando violência.

De acordo com o ouvidor, ele e seus assistentes que acompanharam as declarações, acreditaram na versão contatada. "Ficamos convencidíssimos de que ela está dizendo a verdade", disse Mariano.

"Do ponto da natureza do crime e dentro de viatura, acho que este é o caso mais absurdo que já vi em mais de 40 mil casos que acompanhei como ouvidor."

Ao serem ouvidos, os soldados A.S.C. e D.F.S. negaram o crime. Alegaram que, de fato, deram carona à jovem, mas nada aconteceu. Os PMs disseram que ela pediu informações e que tinha sido perseguida por um homem, por isso eles passaram em algumas ruas ermas à procura de tal suspeito.

A situação dos PMs se agravou porque, em depoimento, eles disseram que a garota estava sentada no banco de atrás, D., no banco do passageiro e A., ao volante. Imagens obtidas durante a investigação, porém, gravadas pelo sistema de segurança do shopping em que estavam, contrariou essa versão.

"Foi possível verificar, com clareza, que um dos policiais militares bate a porta da frente da viatura e entra no banco traseiro, juntamente com a vítima, o que inadmissível em uma situação de normalidade com o caso em questão" diz trecho do documento.

Outro agravante contra os PMs foi a vítima, logo após descer da viatura, ter acionado o 190, sendo enviados para o local outros policiais, que logo acionaram os órgãos necessários para a apuração do caso. A vítima foi submetida a exames horas depois.

Este laudo do IML diz que a vítima "apresenta sinais de lesões corporais de natureza leve" nas partes íntimas, o que, segundo o documento, "pode ser compatível com ato sexual recente".

Uma busca feita na viatura também localizou o celular da vítima, que ela perdeu durante o ataque e mencionou isso às autoridades.

No pedido de prisão que fez a Justiça, a oficial responsável pelo IPM inúmera os motivos da prisão, entre elas a gravidade do fato em si e, também, os danos que atos deste tipo podem causar à imagem da corporação.

Benedito Mariano diz que o crime se torna mais grave por ferir a imagem da corporação. "Não é um caso de natureza policial, com excesso. É um crime bárbaro, covarde, grotesco, que não se espera ser cometido por alguém que é responsável para garantir segurança das pessoas", disse o ouvidor.

A reportagem da Folha de S.Paulo não conseguiu localizar os advogados dos PMs presos.

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