PM puxa mulher pelo cabelo durante abordagem em Juquiá

As imagens foram feitas por pessoas presentes ao local e viralizaram nas redes sociais nesta terça (10)

Um policial militar puxou o cabelo e arrastou uma mulher pelo chão durante uma abordagem na região central de Juquiá, no litoral paulista, na madrugada de segunda-feira (9). As imagens foram feitas por pessoas presentes ao local e viralizaram nas redes sociais nesta terça (10). A Polícia Civil não soube informar se o PM envolvido foi afastado. A Secretaria da Segurança Pública ainda não se manifestou sobre o policial.

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No boletim de ocorrência, registrado na delegacia do município (a 151 km de São Paulo), os policiais Marcos Antônio Pereira, 49, e Joaquim Pires Júnior, 38, alegaram desacato, injúria e resistência por parte da vítima, a estudante Luana da Silva, 37.

Eles justificaram que foram ao local para prestar apoio a funcionários da vigilância sanitária que tentavam dispersar pessoas que estavam aglomeradas no entorno de uma pizzaria.

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Segundo eles, ao se aproximarem do grupo onde estava Luana e solicitar que se retirassem do local, foram ofendidos por ela. “Quem você pensa que é com essa farda de m…”, registrou Pereira, responsável pela ação, no boletim de ocorrência.

Os policiais deram voz de prisão e disseram que precisaram puxar Luana para retirá-la da aglomeração “dada a resistência da mesma que não queria ser algemada”. Eles ainda dizem que foram ofendidos pelo proprietário do estabelecimento, Everaldo dos Santos Diniz, 41, e por um outro cliente.

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“Já tinha fechado o estabelecimento e estávamos do lado de fora, na rua, conversando entre amigos. Eles já estavam nervosos e começaram a me provocar. Disseram que eram autoridades. Ele me agrediu na frente da minha filha de 14 anos. O que mais me dói foi a minha filha ter visto. Me senti um lixo, decepcionada com a lei”, disse Luana à reportagem.

Luana foi encaminhada a delegacia e teve exames solicitados pelo IML (Instituto Médico Legal) antes de ser liberada. Ela diz que estava abalada e, por isso, optou por não fazer um boletim de ocorrência.

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“Não consigo pensar direito, estou assustada. Ninguém estava na minha pele para saber o que passei. Ele [policial] foi um animal. Pedi para tirar a algema, que me machucava muito, só queria acalmar a minha filha. Eu fiquei sem forças. Estou machucada, olho para mim e me sinto horrível ainda”, disse.

Ela ainda diz que tem sofrido com ataques nas redes sociais e que procurará o auxílio de um advogado nos próximos dias. Também negou os desacatos citados. “Calar é dar razão a eles. Não é digno de um homem agredir uma mulher. Eu falei um palavrão, sim, mas não foi direcionado a eles. A dor maior que sinto é por dentro”.

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Os policiais são integrantes do 14º Batalhão de Registro, município 32 km distante de Cajati. O delegado responsável, Eduardo Carvalho Gregório, disse não ter informações sobre punições ou afastamentos.

O dono do estabelecimento, Everaldo, é mencionado no BO como responsável por dizer as seguintes ofensas aos policiais: “vocês só algemam mulher seus p… no c….”.

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Ele assegura, no entanto, não ter falado tais palavras e conta que a fiscalização já havia gerado problemas há pouco mais de uma semana, quando registrou boletim de ocorrência contra a ação do mesmo policial.

“Estamos enfrentando grande resistência policial e da vigilância mesmo cumprindo o horário. Estávamos dentro do horário e sem estar em funcionamento mais. Quando vi a abordagem, desta vez, ele ficava incitando-a a falar algo, dizia que era melhor do que ela. Nas filmagens ninguém os ofende”, explicou.

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Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) ainda não se manifestou sobre o caso.

A Prefeitura de Juquiá relata que a Polícia Militar foi acionada para prestar apoio aos agentes da vigilância sanitária que realizavam fiscalização em estabelecimentos em combate à pandemia da Covid-19.

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Na nota, diz que não cabe ao âmbito municipal julgar, punir ou opinar sobre a ação dos profissionais da segurança pública nem sobre a conduta da mulher que aparece nas imagens divulgadas em redes sociais.