Operações do Gaeco apreendem mais de 2.700 máquinas caça-níqueis na Baixada Santista

Só este ano, 364 destes equipamentos foram localizados

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06 JUN 2017Por Da Reportagem11h30

Investigações realizadas pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo possibilitaram o fechamento de cerca de 150 casas dedicadas à exploração de jogos de azar só na Baixada Santista, nos últimos três anos. Números do próprio Gaeco (que não contam as operações especiais) apontam que, em 2014, 595 máquinas caça-níqueis foram apreendidas. No ano seguinte, este número saltou para 890. Já em 2016, foram 870 equipamentos apreendidos em 29 locais. E só nos primeiros meses de 2017, foram cumpridos 12 mandados de busca, o que resultou no confisco de 364 aparelhos deste tipo.

Operações especiais promovidas pelo Gaeco, assim como as diligências de rotina, também miram os cassinos clandestinos. Em 2015, por exemplo, a Operação Jogo Duro prendeu 20 pessoas e fechou 60 estabelecimentos. Na ocasião, foram apreendidos R$ 500 mil.

As ações do Gaeco são realizadas após a aplicação de meios de investigação que incluem a apreensão de documentos, quebra de sigilo bancário dos envolvidos e interceptações telefônicas feitas com autorização da Justiça.

A exploração de jogos de azar é uma contravenção penal, que não prevê pena de prisão, mas os integrantes do Gaeco consideram que a prática costuma envolver crimes como lavagem de dinheiro e corrupção. Por este motivo, o grupo especial não se limita a fechar as portas do cassino clandestino. O principal intuito é o de descobrir quem está efetivamente por trás da atividade ilícita. Frequentemente, os responsáveis movimentam grandes somas de dinheiro, disfarçando a origem ilegal de valores e subornando agentes de segurança para manter o funcionamento da casa.

A partir do fim de 2016, os promotores de Justiça passaram a solicitar à Justiça autorização para a destruição de máquinas e móveis ainda no local da apreensão. A estratégia evita que os envolvidos insistam na contravenção, uma vez que, até então, os peritos retiravam apenas o noteiro e a placa de memória das máquinas, possibilitando que as mesmas fossem reaproveitadas.

Ainda com o intuito de fechar o cerco contra os jogos de azar, o Gaeco vem responsabilizando os donos dos imóveis, que alugam os locais para a atividade contraventora e que costumam alegar que não sabiam o que acontecia dentro dos estabelecimentos. A iniciativa já levou à assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta, por meio dos quais os proprietários se comprometem a fiscalizar o uso dos imóveis locados.