Operação contra o PCC: liderança morre em confronto com policiais em Praia Grande

Havia explosivos escondidos no local da ação policial, comandada pelo Ministério Público

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14 SET 2020Por Da Reportagem12h15
Organograma divulgado pelo Ministério Público de São PauloFoto: Reprodução

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Polícia Militar e do 1º Batalhão de Polícia Militar de Choque (Rota), deflagrou, na manhã desta segunda-feira (14)  a Operação Sharks para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa que age nos presídios e nas ruas do país. Na Aviação, em Praia Grande, um investigado entrou em confronto com a polícia e morreu após tiroteio. Havia explosivos escondidos no local, levando à atuação do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).

Durante as buscas realizadas pela Sharks foi apreendida quantia superior a R$ 100 mil em dinheiro vivo. “Diversos veículos de luxo e porções de drogas também foram recolhidos, bem como uma pistola calibre 9mm, munição e oito cartuchos de emulsão explosiva (TNT). Os agentes encontraram também diversos equipamentos eletrônicos e documentos, parte dos quais relacionados à propriedade de bens”, diz o Ministério Público.

Participam da operação promotores de justiça, agentes do MPSP e mais de 250 policiais militares, utilizando 65  viaturas. Foram expedidos pelo juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, 40 mandados de busca e 12 mandados de prisão para cumprimento na em São Paulo, cidades da região metropolitana, da Baixada Santista e do interior.

Nove investigados estão foragidos e, no total, foram presas quatro pessoas em flagrante por tráfico de drogas.

As investigações, conduzidas por uma força-tarefa do MPSP composta por oito promotores de Justiça e agentes de investigação com apoio da Polícia Militar, foram iniciadas no primeiro semestre de 2019, a partir do cruzamento de múltiplos dados, mirando integrantes dos principais escalões da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).  

As provas colhidas revelaram que a cúpula da facção movimenta mais de R$ 100 milhões anualmente.

Esse dinheiro, segundo o MP, é proveniente, basicamente, do tráfico de drogas e da arrecadação de valores de seus integrantes, tudo com rigoroso controle em planilhas. 

As investigações revelaram a cadeia logística do tráfico de drogas da facção, bem como a sucessão entre suas principais lideranças à frente da fonte de maior renda da organização criminosa, apontando a participação de 21 criminosos, alguns presos durante a apuração dos fatos.

“Para ocultar centenas de milhares de reais semanalmente, os investigados compravam veículos e se valiam de imóveis com fundos falsos, onde guardavam dinheiro vivo antes de realizar transferências, muitas vezes por intermédio de doleiros”, informa o MP.

Vida de luxo

Em comum entre as lideranças que são alvo da operação, além do elevado poder decisório e a proximidade com a cúpula presa, está o fato de que todas ostentam vida de luxo, com múltiplos imóveis, carros de luxo, quando não residem fora do país e com seus gastos pagos pela própria facção, em completa distinção da base da facção, formada por população em vulnerabilidade social, moradora, no mais das vezes, de regiões periféricas. 

O MPSP tem 30 dias para encerrar as investigações, ouvindo os presos e examinando os materiais apreendidos (documentos e equipamentos eletrônicos), para apresentar as denúncias perante a Justiça.

Os valores em dinheiro serão depositados judicialmente e poderão ser revertidos para utilização no combate ao tráfico e às organizações criminosas. As drogas apreendidas deverão ser destruídas.

Os investigados podem responder por crimes de organização criminosa armada (até 12 anos de pena), tráfico de drogas (até 15 anos), associação ao tráfico (até 10 anos) e lavagem de dinheiro (até 10 anos).