Operação contra exploração sexual na web apreende equipamentos em comércio na Ponta da Praia

Proprietária e marido foram conduzidos à delegacia para serem ouvidos; notebook e cinco HDs foram apreendidos

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09 JUN 2021Por Gilmar Alves Jr.20h12
Foto de ação divulgada pelo Ministério da Justiça, que coordenou a ação no BrasilFoto de ação divulgada pelo Ministério da Justiça, que coordenou a ação no BrasilFoto: Divulgação

No âmbito da operação internacional Luz da Infância 8, de combate a abuso e exploração sexual contra crianças pela internet, policiais civis de Santos apreenderam equipamentos em um estabelecimento comercial, na Ponta da Praia, e conduziram a proprietária e o marido até a 1ª Delegacia da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) regional na manhã desta quarta-feira (9).

Um notebook e cinco HDs foram apreendidos no estabelecimento. “(Os equipamentos) serão alvo de uma perícia mais minuciosa uma vez que em uma análise preliminar a Polícia Científica não conseguiu localizar arquivos. Contudo, um exame pericial mais apurado, que demanda um tempo maior, será realizado e oportunamente o laudo permitirá ou não a responsabilização penal daqueles que por ventura forem surpreendidos mantendo os arquivos”, disse o delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior, titular da 1ª Delegacia.

Em Praia Grande, um homem de 28 anos foi preso ao ser flagrado com arquivos contendo cenas de exploração sexual.

De acordo com Lara, os arquivos foram encontrados em softwares e um exame pericial mais aprofundado vai permitir apontar se houve ou não o compartilhamento dos arquivos encontrados.

Como armazenar os arquivos é crime que prevê fiança, houve arbitramento e o homem responderá solto.

Questionado pela Reportagem sobre se houve surpresa das pessoas que foram alvo das ações policiais na Baixada, Lara disse que “surpresa sempre há, quando se fala de crimes praticados por meio eletrônico".

O delegado Luiz Ricardo de Lara Dias Júnior coordenou a ação que resultou na apreensão em Santos

“Muitas das vezes as pessoas que praticam o crime por essa modalidade têm sempre a sensação da impunidade, uma vez que a conduta toda é levada a efeito atrás de uma tela de computador, a sensação de impunidade acarreta invariavelmente a surpresa quando a polícia bate à porta. Porque todos ficam surpresos com isso. Hoje eu posso garantir que a Polícia Civil do Estado e SP detém conhecimento técnico e específico capaz de investigar e identificar pessoas que praticam o crime usando o meio eletrônico como ferramenta de atingir os seus objetivos”, disse Lara.

Seis países

A operação ocorreu simultaneamente também na Argentina, nos Estados Unidos, no Paraguai, no Panamá e no Equador.

Até o último balanço, haviam sido cumpridos 164 mandados de busca e apreensão, sendo 84 no Brasil, oito nos Estados Unidos, 72 na Argentina, quatro no Paraguai. Houve 73 prisões em flagrante, 39 delas no Brasil, quatro nos Estados Unidos, quatro no Paraguai e 26 na Argentina.

“Declaramos guerra aos crimes contra as crianças e adolescentes no Brasil e assim continuaremos. Reforçamos aqui a orientação principalmente aos pais e responsáveis por essas crianças. São crimes horrendos, mas começa muitas vezes dentro de casa. Por isso a vigilância e atenção às crianças é extremamente importante para evitar que esses predadores ataquem nossas crianças”, frisou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres.

O ministro Anderson Torres destacou a importância da cooperação entre as polícias e o preparo desses profissionais para lidar com os crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. “São crimes muito difíceis de serem elucidados e o policial tem que ter muito preparo para lidar com isso, com essas imagens.”

Prevenção

O coordenador do laboratório de operações cibernéticas da Secretaria de Operações Integradas, do Ministério da Justiça, Alessandro Barreto, também destacou a importância da participação dos pais na prevenção aos crimes contra as crianças.

Segundo ele, a prática aumentou com o isolamento social imposto pela Covid-19. “As pessoas estão cada vez mais conectadas e isso é um cenário fértil para o criminoso. Não podemos relacionar a prática do crime com a tecnologia, a tecnologia é fantástica, mas se faz o uso para práticas ilícitas”, afirmou.

Punição

A pena prevista na legislação brasileira para quem armazena esse tipo de conteúdo varia de um a quatro anos de prisão. O compartilhamento prevê de três a seis anos e de quatro a oito anos de prisão pela produção de conteúdo relacionado aos crimes de exploração sexual.