Narcotráfico via Porto de Santos: operação 'Spaghetti Connection' prende 10 na África

Da Costa do Marfim, que servia como uma espécie de 'entreposto', a droga seguia para a Europa em navios de forma fracionada

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16 JUL 2019Por Gilmar Alves Jr.19h20
Em 17 de setembro de 2018, após 12 horas de operação, 1,1 tonelada de cocaína foi descobertaFoto: Divulgação/Receita Federal

Uma ação conjunta entre Costa do Marfim, Brasil, Itália e França resultou na prisão de dez pessoas, em junho, acusadas de ligação com o narcotráfico internacional de cocaína exportada via Porto de Santos. A operação foi denominada "Spaghetti Connection" em alusão ao fato dos acusados terem o hábito de reunirem em uma cantina em Abidjan, na Costa do Marfim, cidade onde eram baseadas as ações deste grupo, que, conforme as investigações, tinham conexão com as máfias italianas 'Ndrangheta, baseada em Calábria, no Sul daquele país, e Camorra, baseadas em Nápoles e Caserta, no sudoeste. 

Da Costa do Marfim, que servia como uma espécie de "entreposto", a droga seguia para a Europa em navios de forma fracionada, conforme detectou a investigação. 

Os resultados da operação que realizou as prisões, em 4 de junho, foram divulgados naquele mês por veículos internacionais, e vieram à tona no Brasil nesta terça-feira (16) após reportagem do portal de notícias G1.

O chefe da equipe de Repressão da Alfândega da Receita Federal no Porto de Santos, Oswaldo Souza Dias Júnior, esteve na Costa do Marfim na semana em que a operação foi deflagrada e participou de ações com órgãos de investigações dos outros países mobilizados. 

Segundo ele, o esquema envolvendo as pessoas em Abidjan foi descoberto após a tentativa de envio, em 17 de setembro de 2018, de 1,1 tonelada de cocaína em três máquinas compactadoras, usadas para construção civil, via Porto de Santos. 

"A partir dessa apreensão foi iniciada uma investigação pelas autoridades marfinenses, que, evidentemente, focaram naquela empresa que estaria importando. Isso começou ainda no ano passado. Essa investigação contou com o apoio da Polícia Nacional Francesa e da Guarda di Finanza (Guarda de Finanças,  corporação italiana que entre as atribuições está apurar  crimes de fronteira", disse  Oswaldo Dias Júnior ao Diário do Litoral. 

"Nessa cooperação é que surgirem esses links. Desse grupo que estava com base na Costa do Marfim com essas organizações italianas", afirmou.

Os detidos são seis italianos, duas mulheres e um homem marfinenses e um franco-turco. 

Na operação, ainda conforme o auditor, foi realizada a apreensão de armas, dinheiro, sendo a maior parte euros, relógios, joias de alto valor e peças de marfim. 

Dois italianos eram sócios de uma empresa de construção civil responsável pela importação das máquinas onde foi encontrada a tonelada de cocaína.

"Foi um trabalho de cooperação bem sucedido. E é uma iniciativa que nós pretendemos desenvolver em outras ocasiões", disse Dias Júnior. 

Viagens ao Brasil

Conforme Dias Júnior, quatro dos italianos estiveram no Brasil em ocasiões distintas, o que reforça a suspeita de que vieram acertar as operações de embarque de cocaína. Pouco antes da tentativa de envio de 1,1 tonelada de cocaína em setembro via cais santista, dois italianos estiveram no Brasil, com desembarque e embarque pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, segundo o auditor. 

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