Mulher que ocultou corpo de bebê em PG diz ter sofrido aborto

Ela foi localizada pela Polícia Civil na terça-feira (3) e admitiu ter dispensado o corpo no domingo (1º)

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04 JUL 2018Por Gilmar Alves Jr.20h11
Corpo de bebê foi descoberto no domingo, após caminhão de lixo fazer uma curva no bairro Jardim Imperador, em Praia GrandeCorpo de bebê foi descoberto no domingo, após caminhão de lixo fazer uma curva no bairro Jardim Imperador, em Praia GrandeFoto: Reprodução/Praia Grande Mil Grau

A mulher que dispensou o corpo de um bebê no lixo no domingo (1º), em Praia Grande, foi localizada pela Polícia Civil na terça-feira (3) e disse ter sofrido um aborto espontâneo no último dia 25. Após cair em contradições, enquanto era ouvida na casa onde mora, ela admitiu que ocultou o corpo no lixo e demonstrou arrependimento, segundo a polícia.

O Setor de Homicídios da Delegacia Especializada Antissequestro (Deas) de Santos aguardará o resultado do exame necroscópico para definir a tipificação da conduta da mulher, que foi liberada após ser ouvida na delegacia e deverá responder por ocultação de cadáver. Devido ao estado de putrefação, o Instituto Médico-Legal (IML) ainda não conseguiu constatar a causa da morte do bebê, que era do sexo feminino.

Moradora de Praia Grande, a mulher é desempregada, tem 38 anos e quatro filhos. Ela diz que após o aborto, "ao ficar perdida com a cena", embalou o corpo em sacos plásticos e deixou em um balde na moradia até domingo, dia em que o bebê foi dispensado e descoberto dentro de um caminhão de lixo no bairro Jardim Imperador.

Para chegar até a mãe do bebê, a equipe do delegado Renato Mazagão Júnior, titular da Deas, e do investigador-chefe, Marcelo Canuto, realizou apurações na região do encontro do corpo e obteve informações sobre a desempregada, que era vista pelas pessoas grávida e, depois, aparentando já ter tido filho.

Confissão

A desempregada confessou que ocultara o corpo de bebê no lixo enquanto era ouvida em sua casa pela investigadora Katherine Kramer. O delegado Mazagão Júnior e o investigador Canuto ressaltaram ao Diário do Litoral a sensibilidade que a policial teve para obter o depoimento que esclareceu o caso.

Ao Diário, Katherine afirmou que ao notar as contradições e observar gestos da mulher teve convicção de que ela era a mãe do bebê. "Eu disse: tira esse peso que você está carregando. Ela ficou emotiva, as lágrimas começaram a escorrer e aí ela desabou e começou a contar", afirmou a policial civil.

Os quatro filhos da desempregada são de dois ex-companheiros dela. O pai do bebê que morreu chegou a ser procurado pela mulher durante a gestação, mas ele não manifestou interesse em assumir a criança. Como fonte da renda, a desempregada tem uma pensão da mãe.