Medo silencia parentes de rapper morto

Familiares do Dj Lah não quiseram dar entrevista por medo de novas mortes na região.

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07 JAN 201310h40

Ao som do rap Morro Triste, que fala sobre um assassinato na periferia, cerca de cem de pessoas se despediram de Laércio de Souza Grimas, de 33 anos, o DJ Lah, na tarde deste domingo (6). O integrante do grupo Conexão do Morro foi um dos sete mortos na primeira chacina do ano na capital, no Campo Limpo, zona sul. Ele foi enterrado às 14 horas no Cemitério dos Jesuítas, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.

O clima, durante o sepultamento, era de medo. Amigos e familiares não quiseram dar entrevista, alguns deles por temer novas mortes na região. A vizinhança suspeita que o crime foi praticado por policiais militares ligados a grupos de extermínio.

“O governador Geraldo Alckmin diz que está tudo sob controle, mas não está. Meu filho foi morto em outubro e, agora, meu primo”, afirma uma parente de DJ Lah, que pediu para ter o nome preservado. O filho dela, de 19 anos, foi morto por encapuzados quando buscava uma pizza, em uma ocorrência que terminou com mais dois mortos e uma mulher baleada.

Durante o enterro, os integrantes do Conexão do Morro disseram não estar em condições de falar sobre a morte do DJ.

Antes de levar o corpo do músico, os amigos ainda cantaram o samba A Amizade, do grupo Fundo de Quintal. O caixão seguiu coberto com uma bandeira do São Paulo Futebol Clube e outra do Conexão do Morro.

Antes de levar o corpo do músico, amigos ainda cantaram o samba A Amizade,  do grupo Fundo  de Quintal. (Foto: Diogo Moreira/ Frame)