Lancha estava com o dobro da capacidade em Guarujá

Imagem exclusiva, publicada ontem (5) pelo Diário do Litoral revelamque barco estava transportando 10 pessoas

Comentar
Compartilhar
06 MAI 201410h16

Um depoimento, acompanhado de uma foto, obtido com exclusividade pelo Diário do Litoral, dá conta que a lancha que virou na Prainha Branca, na última sexta-feira (2), causando a morte por afogamento de Rita Vieira, de 35 anos, e seu filho João Pedro Vieira, de três anos, na verdade estava com 10 pessoas e não nove conforme revelado pelo condutor da embarcação à Capitania dos Portos. As imagens foram publicadas ontem, em primeira mão, no site do DL.

Em contato com a reportagem no último final de semana, o fotógrafo profissional Nael Domingues disse que fez as imagens momentos antes do acidente e detectou que havia uma pessoa a mais. “Não sei porquê o condutor, em depoimento à Capitania dos Portos, revelou que seriam menos que 10 pessoas. Talvez, para minimizar a responsabilidade”, disse o fotógrafo, que acompanhou todo o acidente.

Na foto, são visualizados três jovens na proa (frente) da embarcação e uma mulher de pé, de costas.  Ainda um homem de boné e o condutor em frente ao painel do barco. Atrás, um homem inclinado para a popa (fundos da embarcação) e duas jovens sentadas. Segundo o fotógrafo, provavelmente, o pequeno João Pedro estaria no colo de uma delas.

Vale lembrar que, até então, sete pessoas teriam sido resgatadas do mar e a mãe e o filho morreram presos nos cintos de segurança na lancha em que passeavam pela Prainha Branca, totalizando nove pessoas. Rita e João Pedro foram removidos para o Hospital Municipal de Bertioga, mas não resistiram. Os dois foram enterrados na manhã do último sábado (3), em Suzano (SP). A família alugou uma casa em Bertioga para passar o feriado de 1º de maio.

A lancha tinha nove adultos embarcados. João Pedro estaria no colo da mãe (Foto: Divulgação/Nael Domingues)

Procurado pela reportagem, um experiente condutor de embarcações semelhantes a do acidente revelou ao DL que o limite prudencial de uma lancha de 22 pés seria de cinco pessoas. No caso, a lancha estaria com o dobro de capacidade. Outro detalhe observado na foto é que a maioria estava sem coletes salva-vidas.

Ontem, o comandante da Capitania dos Portos do Estado de São Paulo, capitão-de-mar-e-guerra Ricardo Fernandes Gomes, disse à reportagem que já está com a foto publicada pelo DL em mãos e ela será importante dentro do inquérito. Gomes já suspeitava da existência de 10 ocupantes, mas ratificou que o peso não foi o principal causador do acidente.

“O excesso de pessoas será avaliado pela perícia. Ainda sou da opinião que o problema ocorreu porque a lancha atingiu a área de arrebentação, o que é proibido por lei. Também é importante ressaltar que não é preciso que as pessoas estejam com coletes salva-vidas. A lei obriga que o equipamento esteja disponível e de fácil acesso aos ocupantes”, disse. 

No último sábado, o capitão disse que a capacidade de transporte da lancha seria de sete passageiros, contando com o condutor. Gomes também revelou a possibilidade de imprudência do condutor e o desconhecimento das características da Prainha Branca. Ontem, o condutor teria negado imprudência.

Vale lembrar que por conta das fortes ondas, não é aconselhado o desembarque de passageiros no trecho do acidente. O usual é que este tipo de manobra seja feito em um dos cantos da praia, pontos em que a rebentação é menor.

Inquérito

A Capitania já abriu inquérito para apurar as causas do acidente. O prazo para o fim do inquérito (sob sigilo) é de 90 dias. Ontem, além do condutor, foram ouvidos um bombeiro, um salva-vidas, um passageiro, o gerente e o proprietário da marina de onde teria partido a embarcação. Outras pessoas serão ouvidas nos próximos dias. Se for constatada imprudência, o condutor pode ser indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar).

Conforme já divulgado, o acidente ocorreu por volta das 10h30. A lancha tentou chegar à praia para o desembarque dos turistas de Suzano. Porém, as fortes ondas fizeram com que a embarcação virasse.

Conforme apurado ontem, os sobreviventes foram resgatados por moradores da Prainha e frequentadores da praia, acostumados com o local. Mãe e filho só foram descobertos após o barco ter encalhado. A criança foi levada de bote até uma praia próxima ao Hospital Municipal de Bertioga e a mãe por um helicóptero Águia 8 da Polícia Militar (PM). As duas vítimas tiveram paradas cardiorrespiratórias e não resistiram.