Justiça revoga prisão de barbeiro que nega roubo em São Vicente

Defesa sustenta que o celular de Caio Cardoso, de 18 anos, contém provas de que ele estava em casa no momento em que o crime ocorreu, na noite de segunda-feira (18)

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21 NOV 2019Por Gilmar Alves Jr.16h39
Caio Cardoso deverá deixar o Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente ainda hojeFoto: Reprodução/Facebook

O juiz Alexandre Torres de Aguiar, da 1ª Vara Criminal de São Vicente, revogou a prisão preventiva do barbeiro Caio Charles dos Santos Cardoso, de 18 anos, que está preso desde a madrugada de terça-feira (19) acusado de roubo. Caio nega qualquer participação no crime e diz que estava em casa, na Vila Margarida, no momento em que o assalto ocorreu, na noite de segunda-feira (18), no bairro Parque Bitaru. O alvará de soltura do rapaz, que está no Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente, deverá ser cumprido ainda hoje.

O barbeiro foi detido pela Polícia Militar na garupa de uma moto, na Avenida Capitão Luis Antônio Pimenta, e reconhecido na Delegacia Sede de São Vicente pela vítima, uma auxiliar administrativa de 22 anos. Ele foi autuado em flagrante e no dia seguinte teve a prisão convertida em preventiva em audiência de custódia.

O advogado de Caio, Rodrigo Neves da Costa, que requereu a revogação da prisão, afirma que o conteúdo do celular do barbeiro prova a inocência dele, já que os dados de geolocalização indicam que ele estava em casa.

“A gente juntou o histórico de utilização. Naquele período todo, ele (Caio) estava mexendo no WhatsApp, no Youtube e no Facebook”, afirma o advogado. Prints foram enviados à Reportagem.

Geolocalização contida no celular do acusado aponta que ele não foi até o local em que a vítima foi roubada (ponto em vermelho), na noite de segunda-feira (28), afirma defesa Imagem: Reprodução

Costa também afirma que irá enviar ofício para o Google para a ratificação das informações sobre o aparelho, cujo sistema operacional, o Android, é da multinacional norte-americana.

"No dia da audiência de custódia, quando ele foi para cela da carceragem, ele chorava desesperadamente gritando que não foi ele. Ele estava indignado", relata o advogado. 

No momento em que foi abordado pela PM, por volta de 0h40 de terça, o barbeiro estava indo comprar droga com o condutor da moto, um balconista de 23 anos. O defensor disse que os pais dos dois jovens já os repreenderam pelo ato.

Fundamentação

O juiz Alexandre Torres Aguiar considerou que as afirmações e dados apresentados pela defesa servem de elementos para, ao menos neste juízo de cognição sumária, considerar que os indícios de autoria até aqui existentes não justificam, por si sós, a decretação da prisão preventiva.

“Ressalte-se que é absolutamente prematura e temerária qualquer análise efetiva do mérito, ficando presente decisão restrita à apreciação do cabimento, ou não, de medidas cautelares  diversas da prisão preventiva, consta na decisão", proferida nesta quarta-feira (20).

Ao revogar a preventiva, o juiz impôs como medidas cautelares o comparecimento de Caio ao Juízo toda vez que for intimado para atos do inquérito e da instrução criminal, proibição de mudar de residência sem prévia permissão do Juízo ou ausentar-se por mais de oito dias de sua residência sem comunicar o local onde será encontrado.

O roubo

A vítima chegava em sua residência, na Avenida Capitão Mor Aguiar, quando dois criminosos se aproximaram de motocicleta, por volta das 23h45. A vítima fechou o portão, mas um dos bandidos forçou a entrada e acessou o quintal. Apontando uma arma de fogo para a moradora, o ladrão, que estava sem capacete, se apoderou da mochila dela, contendo celular e um carregador magnético, e escapou.

Ao comunicar o caso à PM, via Centro de Operações, a mulher disse que o bandido que a dominou é alto e usa barbixa. Caio tem 1,90m e usa cavanhaque.

Para o advogado do barbeiro, a vítima, pelo nervosismo, pode ter feito o reconhecimento de modo errôneo.